Dez anos sem Carl Sagan


Autor de Cosmos e Contato faz muita falta
No dia 20 de dezembro de 1996, falecia aquele que foi possivelmente o maior divulgador científico de todos os tempos, Carl Sagan.
Nascido em Brooklin, Nova York, em 9 de novembro de 1934, Sagan teve participação ativa no programa espacial norte-americano, sendo consultor em praticamente todas as missões espaciais da NASA.
Formou-se pela Universidade de Chicago em física, e depois lá obteve seu doutorado em 1960, em astronomia e astrofísica. Trabalhou no Observatório de astrofísica do Smithsonian de 1962 a 68. Lecionou em Harvard até 1968, quando foi demitido por suas idéias.
Sempre defendeu a ciência e o estudo do Cosmos. Em uma época em que a maioria absoluta dos cientistas ridicularizava a idéia de planetas extrassolares e vida extraterrestre, Carl Sagan defendia o estudo do Universo e a busca por nossos companheiros no mesmo. Chegou mesmo a organizar, em 1969, um simpósio para a Associação Americana para o Avanço da Ciência, a fim de discutir o tema dos ovnis.
Foi o primeiro a sugerir que Europa, lua de Júpiter, e Titã, lua de Saturno, possuem oceanos. As descobertas da Missão Galileu em Júpiter confirmaram que seu satélite Europa tem uma capa de gelo, que cobre um profundo oceano de água líquida. As primeiras sondagens da nave Cassini em Saturno indicam que pode haver uma superfície líquida em Titã, possivelmente formada por hidrocarbonetos, tal qual antevisto por Sagan.
As descobertas de planetas extrassolares na última década já apontam para mais de 200 mundos orbitando outras estrelas. A esse respeito, em 2000, uma edição da revista americana Discovery anunciava em sua capa: Carl Sagan estava certo.
Sagan sugeriu que missões destinadas a sair de nosso Sistema Solar carregassem mensagens para possíveis civilizações alienígenas que encontrassem nossos veículos. As primeiras destas foram as placas afixadas nas naves Pioneer 10 e 11. Depois, nas naves Voyager 1 e 2, lançadas em 1977, foram colocados discos contendo detalhadas informações sobre nossa civilização, imagens, fotografias, sons, músicas e dados científicos de nossa espécie. Essas informações e a confecção da mensagem estão descritos no livro Murmúrios da Terra.
Vale lembrar do episódio da segunda temporada de Arquivo-X, Homenzinhos Verdes, a música que o senador Matheson toca para Fox Mulder é o Concerto de Brandemburgo, que é a primeira seleção musical do Disco Interestelar da Voyager.
É esperado que essa mensagem sobreviva por bilhões de anos, vagando para sempre entre as estrelas.
A preocupação de Carl Sagan com o espaço o fez tomar consciência de que deveríamos defender também a Terra da devastação produzida pelo homem. Há décadas já alertava contra o aquecimento global e o inverno nuclear que poderia advir da Terceira Guerra Mundial. Sua pregação contra a corrida armamentista o fez inclusive ser preso.
Sagan sempre defendeu a ciência e o conhecimento como a melhor arma contra a violência e a estupidez. Em seus últimos anos publicou o livro O Mundo Assombrado pelos Demônios, em que alertava contra o recrudescimento do fanatismo religioso e da intolerância, além do pensamento não científico. Hoje, infelizmente, vemos que o mundo está tomado pelo obscurantismo religioso, e a ciência é vista como algo hostil.
A série de TV Cosmos recebeu incontáveis prêmios, incluindo o Emmy. O livro homônimo contribuiu para que milhares de pessoas se interessassem pela ciência e pelo Universo. Na mesma linha, Cometa é um volumoso e belíssimo livro, lançado em 1986 para aproveitar a passagem do Cometa Halley.
Autor do livro Contato, que detalhamos melhor na Dica de Livros do Aumanack, infelizmente Sagan não viveu para ver a adaptação do mesmo para as telonas, com Jodie Foster no papel da astrônoma Ellie Arroway. Ao final do filme, pode-se ver a dedicatória, For Carl.
Seu filho, Nick Sagan, escreveu vários episódios de Jornada nas Estrelas. No episódio da quarta temporada de Enterprise, Terra Prime, é mostrada uma rápida tomada do jipe robô Sojourner, da Missão Pathfinder de 1997 em Marte, e um marco anunciando aquele local como a Estação Memorial Carl Sagan.
Conforme Carl Sagan escreveu em O Mundo Assombrado…, a ciência é como uma vela na escuridão da ignorância, o que pode ser estendido também para a incrível obra e extraordinária vida de Carl Sagan. A ele, nossas eternas saudades.

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