O Stargate


Quem precisa de naves?


Por volta de 1994, o desacreditado arqueólogo e pesquisador Daniel Jackson
era motivo de piadas da comunidade científica, por sua exótica teoria de que
as Pirâmides do Egito eram na verdade pontos de pouso de naves alienígenas.
Foi quando Catherine Langford, ligada a um grupo secreto dentro do aparato
militar norte-americano, o convocou para auxiliar em um projeto.
Daniel foi apresentado a um estranho artefato, um anel de material
desconhecido medindo 6,7 m de diâmetro e pesando cerca de 29 toneladas. O
aparato continha estranhos símbolos em um anel interno giratório, e pela
tradução de escritos encontrados junto ao artefato, os especialistas o
estavam chamando de “porta para o Paraíso”. Daniel, em pouco tempo,
descobriu que a tradução estava errada.
O correto era Portal Estelar. Stargate.

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O extraordinário artefato fora descoberto em Gizé no Egito pela equipe do
pai de Catherine, em 1928. Em 1939 o navio Achilles trouxe o portal para os
Estados Unidos, a fim de impedir que caísse nas mãos dos nazistas. Em 1945,
por pura sorte, o dispositivo foi ativado pela primeira vez de forma manual,
mas após atravessá-lo, o doutor Ernest Littlefield desapareceu, e o programa
que buscava determinar alguma finalidade militar para o portal foi
desativado. O artefato foi mantido em um galpão e abandonado até 1969,
quando Catherine retomou o programa. Após a chegada de Daniel, e a
descoberta que os símbolos no aparato eram na verdade coordenadas, o
Stargate pôde ser novamente acionado.
Após a primeira missão de uma equipe através do buraco de minhoca ou
wormhole, para o planeta Abidos, novamente o portal foi abandonado, até
alienígenas hostis chegarem através do mesmo. Uma nova viagem para Abidos
foi realizada, e finalmente se descobriu que o portal permite viajar para
incontáveis outros mundos, cada um possuindo seu próprio Stargate.
O portal estelar é feito de um material chamado naquadah, possui um total de
39 símbolos no anel giratório interno, e nove chevrons ou coordenadas.
Sabe-se que os símbolos representam constelações, e identificando seis
destas pode-se determinar com exatidão um ponto no espaço. Esses seis
símbolos traçam três segmentos de reta que se interceptam, e o ponto formado
é o de destino. Então o sétimo símbolo é o do ponto de origem, por meio do
qual uma rota direta para o destino é traçada, e um wormhole estável é
formado entre o portal de origem e o de destino.

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Aqui vale mencionar o conceito de wormhole, ou buraco de minhoca. Este é uma
formação hipotética do espaço-tempo contínuo, tal como descrito na
Relatividade de Albert Einstein, que permite “cortar caminho” pelo tempo e
espaço. O conceito de wormhole é válido como solução de algumas equações da
Relatividade. O nome deriva da idéia concebida para explicar o conceito.
Imagine um pequeno verme percorrendo a superfície de uma maçã, de um extremo
a outro, tendo que contornar toda a circunferência da maçã para chegar ao
destino. Se ao contrário, o verme cortar caminho, fazendo um buraco para
percorrer uma rota direta, chegará em muito menos tempo ao destino. O termo
buraco de minhoca foi proposto pelo físico teórico americano John Wheeler em
1957.

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A grande vantagem de viajar pelo buraco de minhoca de um Stargate é que
pode-se chegar a planetas distantes dezenas, centenas, milhares ou até
milhões de anos-luz de distância em um tempo praticamente desprezível. Se
fosse de fato construída essa ponte, conectando a Terra a um planeta de
outro sistema solar, os exploradores que o atravessassem simplesmente
sairiam da Terra e chegariam ao outro mundo, com apenas um passo. Trata-se,
simplificando, de dobrar o espaço-tempo, exatamente como é feito pela
propulsão de dobra da Enterprise, mas de forma tão extrema que o ponto de
destino é literalmente “trazido” até o de origem. Apenas um passo, e a
viagem está feita!
A Relatividade Especial de Einstein estipula que nada pode superar a
velocidade da luz, que é de 300.000 km/s. Quanto mais veloz se viaja, mais a
massa do viajante também aumenta. Pelas equações da Relatividade, atingir a
velocidade da luz significaria  que sua massa chegaria ao infinito, e o
viajante se tornaria um buraco negro, corpos tão “pesados”, e com gravidade
tão intensa, que nem mesmo a luz consegue escapar. Mas a mesma Relatividade
não impede que o espaço seja dobrado o quanto quisermos, e aí pode estar a
chave das viagens interestelares, isso se conseguirmos encontrar uma fonte
capaz de fornecer as imensas quantidades de energia para essa proeza.
Então, dobrando o espaço de forma extrema, o viajante que percorre um buraco
de minhoca chegaria muito antes que outro, que viajou com sua nave por toda
a extensão do espaço até o planeta distante. Aparentemente mais veloz que a
luz, mas não por havê-la superado, mas sim por ter percorrido um trajeto
infinitamente menor. O que é mais rápido, contornar uma montanha, ou chegar
até o outro lado por um túnel através da mesma?
Cada Stargate é um grande supercondutor, que absorve energia do meio, e seu
dispositivo de discagem, o DHD, também possui sua própria fonte de energia.
Normalmente é o portal de origem que fornece a energia para um wormhole, mas
caso a energia fique escassa, então o portal de destino, se possuir um DHD
pode fornecer energia para manter o wormhole aberto. Um buraco de minhoca
através de dois portais pode viajar em apenas um sentido, da origem ao
destino, mas qualquer tipo de energia eletromagnética, como transmissões de
rádio ou TV, podem ser enviadas indistintamente de um ponto a outro.

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Os símbolos no Stargate, a partir do símbolo da Terra que serve como
“bolacha” para todas as equipes SG que saem em missão extramundo, e em
sentido horário são Crater, Virgo, Bootes, Centaurus, Libra, Serpens Caput,
Norma, Scorpio, Cra, Scutum, Sagittarius, Aquila, Mic, Capricorn, Pisces
Austrinus, Equuleus, Aquarius, Pegasus, Sculptor, Pisces, Andromeda,
Triangulum, Aries, Perseus, Cetus, Taurus, Auriga, Eridanus, Orion, Canis
Minor, Monoceros, Gemini, Hydra, Lynx, Cancer, Sextans, Leo Minor e Leo.
No sexto ano de Stargate SG-1, o foco passou a ser a busca pela Cidade
Perdida, e seguindo as pistas foi possível fornecer ao Stargate um endereço
de oito símbolos, a fim de atingir a Galáxia de Pegasus e a cidade perdida
de Atlantis. Os Stargates de Pegasus são diferentes, claramente mais
avançados que os da Via Láctea, e contam com 36 símbolos.

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Ainda é desconhecido o que pode ser um endereço com todos os nove símbolos
de um portal.
Para discar o portal, o Comando Stargate se valeu de muita pesquisa a fim
de, em um esforço que demorou 15 anos e três supercomputadores, conseguisse
“macgyvear” um sistema de discagem. Nas viagens logo se descobriu que cada
Stargate possui um DHD, ou dial home device, que repete os mesmos símbolos
do portal, que devem ser inseridos na sequência correta. Pressionando o
grande botão vermelho central, um wormhole estável é formado.
Naturalmente, nada no Universo está parado. Tudo se movimenta, e para
compensar esse desvio estelar, a própria rede Stargate está programada para
fazer constantemente atualizações, a fim de que um endereço válido inserido
no sistema de fato corresponda a um portal de destino. Isso acontece quando
cada Stargate automaticamente disca um para outro, a fim de atualizar suas
coordenadas.

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O DHD do Stargate encontrado no Egito foi encontrado por uma expedição alemã
em 1906, e os russos o confiscaram ao final da Segunda Guerra Mundial. Foi
depois acidentalmente destruído em uma experiência no Stargate Command. E
surpreendentemente foi descoberto, ainda no primeiro ano de existência do
Comando, que a Terra possuía um segundo portal, o Beta Stargate. Beta foi
encontrado por acaso, quando um fenômeno cósmico fez com que o wormhole
“saltasse”, do portal dentro da Montanha Cheyenne, para o segundo portal
situado sob o gelo da Antártida cerca de 80 km distante da Estação McMurdo.
Descobriu-se que Beta na verdade era o primeiro Stargate da Terra, podendo
muito bem ser o mais antigo de todos, tendo sido colocado no lugar muito
antes que a Antártida fosse coberta de gelo, há quase três milhões de anos,
que vem a ser praticamente a idade de toda a rede de portais.

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Por muito tempo, não se soube quem era o responsável por essa extraordinária
realização, mas evidências foram encontradas, durante as viagens das equipes
SG, de que foi uma raça muito adiantada que construiu os Stargates há
milhões de anos. Essa raça veio a ser conhecida como os Antigos, e foi a
primeira evolução da forma de vida humana. Nós somos a segunda. As primeiras
pistas surgiram quando a equipe SG-1 descobriu uma antiga gravação da
primeira ativação do portal em 1945, e conseguiram viajar até o planeta
designado P3X-972, encontrando Ernest Littlefield após 50 anos. O cientista
conseguiu determinar, estudando o mundo em que ficara preso por tanto tempo,
que este era o ponto de encontro de uma aliança de avançadas raças
extraterrestres. Descobriu-se depois que essas raças eram os nox, os
furlings, os asgard, e os Antigos, os construtores da rede de portais.

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O Beta Stargate chegou a ser utilizado por um tempo por agentes renegados do
próprio governo americano, mas depois foi encerrado em um contêiner e
desativado. Voltou a ser utilizado quando o Alfa Stargate foi perdido em uma
missão, quando o SG-1 o levou a bordo de uma nave asgard para escapar, e a
nave caiu no Pacífico. Entretanto, os russos recuperaram o portal, usando-o
por um curto período. O Beta foi afinal destruído quando o goa´uld Anubis
usou uma arma para detoná-lo como uma bomba. Felizmente, a Terra já possuía
uma nave experimental dotada de propulsor hiperespacial, o X-302, que pôde
carregar o portal até mais de 6 milhões de distância do planeta, onde o
mesmo explodiu. Por meio de um acordo com os russos, o Alfa Stargate, o
portal original descoberto em 1928, pôde voltar a ser utilizado.

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Aqui na Terra, o Comando Stargate tomou algumas precauções. A fim de evitar
que intrusos cheguem inesperadamente pelo portal, instalou-se uma íris,
feita de uma liga de trinium e titânio, e situada a apenas 3 microns do
horizonte de eventos (Este vem a ser a superfície semelhante a uma poça de
água vertical, vista quando um Stargate é acionado). Mas a íris permite que
ondas eletromagnéticas a atravessem, e cada equipe SG carrega um GDO, garage
door opener, que transmite um código que identifica a equipe, possibilitando
a abertura da íris. Vale dizer que um portal não consegue ser ativado quando
enterrado, mas funciona embaixo da água. Um buraco de minhoca não pode se
conectar a um Stargate já ativo, e não se consegue discar para fora de um
Stargate que já tenha um wormhole saindo nele. Enquanto matéria ou energia
continuar atravessando, um buraco de minhoca continuará ativo, até um tempo
limite de 38 minutos.
E também é possível discar manualmente um portal, mesmo sem um DHD, desde
que uma fonte de energia esteja disponível, e movendo manualmente o anel
giratório com os símbolos a fim de travar os chevrons.

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Desse modo, mesmo sem as dispendiosas naves interestelares, a civilização
terrestre pôde utilizar o Stargate para, nos tempos atuais, audaciosamente
ir onde ninguém jamais estivera antes! Evidentemente, muitos inimigos foram
feitos no processo, mas também muitos amigos, e uma imensa quantidade de
inestimáveis conhecimentos foi obtida, bem como foram realizadas descobertas
fundamentais sobre a história da Terra e da Galáxia.
Com certeza, uma maravilhosa forma de viajar!

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