No começo da década de 1960, a NASA tinha um problema: em breve, quando entrassem em serviço as naves da classe Gemini, seria necessário que os astronautas tivessem a disposição um relógio eficiente. E isso seria ainda mais vital pois também começariam as caminhadas espaciais fora da nave. Antes qualquer relógio servia, pois os homens estavam a bordo do ambiente pressurizado das cápsulas. Em breve os astronautas estariam dentro de trajes espaciais, naturalmente, mas e como controlar o tempo de cada atividade extraveicular dessas?



As condições do espaço, com o vácuo, as radiações, e as diferenças extremas de temperatura, pareciam exigir algo de muito excepcional nos instrumentos. Lembrando que, pela ausência de atmosfera, não existe equilíbrio entre a parte iluminada e a que está na penumbra. O traje espacial protege o astronauta desses extremos, que podem chegar de 180 graus na parte exposta ao Sol, até menos 180 graus na parte contrária. E quando chegasse o momento das missões Apollo, a fim de pousar na Lua, os requisitos seriam ainda mais exigentes.

 

Obviamente que se poderia fazer uma requisição para o desenvolvimento de um relógio espacial, mas o custo e o tempo a disposição eram limitados. Portanto, a NASA incumbiu seus funcionários de visitar lojas na própria cidade de Houston, e adquirir modelos de várias marcas para serem submetidos a testes.

Entre as marcas estavam Bulova, Rolex, Longinus, Hamilton, Mido e Omega, entre outras. Todos eram cronógrafos por corda manual, pois ainda não haviam sido lançados no mercado cronógrafos automáticos. Os modelos foram submetidos a rigorosos testes de exposição a elevadas temperaturas, vácuo, alta umidade, corrosão, choques, acelerações, pressão, vibração e ruídos. Somente o modelo Speedmaster Professional da Omega resistiu aos testes e continuou marcando o tempo sem grandes discrepâncias.

O primeiro vôo de um astronauta com o Omega foi o da Mercury Sigma 7, em 3 de outubro de 1962, com Walter Schirra. Na Gemini 3 Grisson e Young também levavam no pulso seus Omega, que além de tudo deveriam servir para substituir em caso de necessidade os relógios a bordo. Na Gemini 4, em junho de 1965, onde voaram James McDivitt e Edward White, este último realizou a primeira caminhada de um americano no espaço, e em seu pulso, estava o Omega Speedmaster Professional.

Clicando aqui, por sinal, vocês podem conferir a foto em alta resolução de White em órbita, fora da nave, com o Omega em seu pulso. Incrível que seja um relógio de linha normal de produção, não? E algumas fontes dizem que a empresa não sabia da escolha de seu modelo pela NASA até ver essa foto nas reportagens da época!

Na Apollo 11, em julho de 1969, Edwin “Buzz” Aldrin e Neil Armstrong tinham seus Omega. Armstrong deixou o seu a bordo do módulo lunar, pois haviam experimentado alguns problemas com os instrumentos, e ele queria garantir que tivesse o relógio a disposição caso necessitassem. Buzz, entretanto, utilizou o seu, o primeiro relógio (terrestre, pelo menos…), a chegar a outro corpo celeste!

Clicando aqui, também se poder ver Aldrin na superfície da Lua, com o Omega Speedmaster em seu pulso. Por sinal, a NASA providenciou pulseiras de velcro bem longas, para que os relógios pudessem ser usados por fora dos trajes espaciais.

Ainda podemos mostrar a mesma foto acima. Clicando aqui vemos, em alta resolução, os exemplares expostos no Museu Smithsonian e utilizados por Walter Schirra (Mercury Sigma 7), Richard Gordon (Apollo 12), e Thomas Stafford (Gemini 6).

E acreditem, esse Omega específico de Buzz Aldrin foi extraviado, e seu paradeiro é desconhecido! Em 1971 o relógio estava sendo levado para o Smithsonian Air and Space Museum e sumiu, ainda constando que Buzz pretendia emprestar o Omega para ser exposto. Pois é, o primeiro relógio na Lua deve estar na mão de algum espertalhão por aí, já imaginaram?

Todas as missões Apollo utilizaram o Speedmaster. Na Apollo 13, Jim Lovell utilizou o relógio para controlar o tempo de ignição dos motores a fim de corrigir a trajetória de sua nave avariada. Já na Apollo 15, Dave Scott teve um problema com seu exemplar, que perdeu o vidro do mostrador, e o substituiu por um cronógrafo Waltham. Pouco antes dos últimos vôos Apollo, várias fábricas pressionaram a NASA para refazer os testes, especialmente a americana Bulova. Além desta e da Omega, participaram da nova certificação a Rolex, Seiko e Breitling. Infelizmente para a Bulova, seu modelo parou três vezes no teste de umidade, e mais uma no de aceleração. De novo, o único aprovado foi o Omega.

Ele permaneceu sendo utilizado até durante as missões dos ônibus espaciais, começando em abril de 1981 com o primeiro vôo do saudoso Columbia, e até hoje é usado pelos americanos no espaço. Ah, e pelos russos também!

Por curiosidade, a Omega lançou em anos recentes o Speedmaster X-33, chamado de Mars Watch, o Relógio de Marte. Obviamente, o Speedmaster Professional é o Moon Watch, o Relógio Lunar, e tem sido lançado desde o Projeto Apollo em diversas edições comemorativas.

A dos 40 anos da missão Apollo 11, comemorados em 2009, por exemplo, traz no mostrador a “bolacha” da histórica missão, como pode ser visto acima. Abaixo, Buzz Aldrin exibindo o modelo na luxuosa caixa em que o mimo vem.

Uma outra edição mais recente tem o fundo do mostrador feito com material de meteorito! Acaba de chegar ao Brasil, é verdade, pela “módica” quantia de 23.000 reais. Os modelos Speedmaster Professional normais não são tão caros, mas naturalmente continuam fazendo um estrago no bolso. De qualquer forma, é interessante saber que o relógio que os astronautas usaram na Lua é um modelo de linha, que pode ser comprado em qualquer loja. Sem dúvida, deve ser um motivo de muita alegria para a Omega até hoje, que melhor propaganda do que essa?

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