Crítica | Kubo, uma história (quase) maravilhosa


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“Se for piscar, pisque agora! Porque do contrário, irá perder a história.”

Esta é a frase do filme, dentre tantas outras que fazem deste stop-motion, um dos mais ousados deste ano.
Kubo vive uma normal e tranquila vida em uma pequena vila no Japão com sua mãe. Até que um espírito vingativo do passado muda completamente sua vida, ao fazer com que todos os tipos de deuses e monstros o persigam. Agora, para sobreviver, Kubo terá de encontrar uma armadura mágica que foi usada pelo seu falecido pai, um lendário guerreiro samurai.
A história pode até ser batida para muitos. Um outro modo de contar que “meu pai não gosta do homem que eu amo, minhas irmãs (sou a mais velha), acham que trai a família e vamos fazer de tudo para acabar com este relacionamento”. E é isto mesmo.
Parece frio de minha parte? Qualquer roteiro é frio. O que faz com que ele se torne “algo a mais”, é justamente como o diretor irá contar esta aventura.
A animação se baseia no folclore japonês, utilizando a arte da dobradura, ou seja, o Origami, para construir os personagens e mostrar o crescimento do nosso herói em sua jornada.
Infelizmente, este aspecto da trama se torna o “quase” maravilhosa do nosso título. Porque para os que não conhecem – e até os que conhecem um pouco -, da mitologia do Japão, irão ficar se perguntando quem são os vilões. O que são aquelas feiticeiras com chapéu esquisito, máscara e asas de corvo? E o avô? E tal coisa? E aquilo ali?
E é impossível não lembrar e comparar com uma outra animação da década de 1980 que passava todo final de ano no SBT chamado Principe Suzano e o Dragão de 8 Cabeças.

Na história desse clássico da Toei Animation, o deus Susano’o (aqui representado por um príncipe ainda garoto), cuja mãe Izanami acabara de morrer. Está profundamente ferido pela perda de sua mãe. Seu pai Izanagi diz ao príncipe que sua mãe está agora no céu. Apesar das advertências de Izanagi, Susano’o parte para tentar acha-lá. Junto de seus companheiros, Akahana (um pequeno coelho falante) e Titan Bo (um gigante forte e amável, vindo da Terra do Fogo), Susano’o supera todos os obstáculos em sua longa jornada. Ele acaba chegando na Província de Izumo, onde encontra a princesa Kushinada, uma pequena garota que se torna sua amiga (ele também acha ela tão bonita que até se parece com sua mãe). A família de Kushinada diz a Susano’o que outras sete filhas deles foram sacrificadas para a assustadora serpente de oito cabeças, Yamata no Orochi. Susano’o está tão apaixonado por Kushinada que decide ajudar sua família à protege-la e matar Orochi de uma vez por todas. Ele, Akahana e Bo se preparam para o confronto.

Infelizmente os furos no roteiro de Kubo, são o que não irão transformar esta animação em uma das melhores do ano. Ter apenas um ótimo visual não ajuda. É necessária uma história com ligações. E neste aspecto Kubo deixou a desejar.
Mesmo assim, para os mais fãs da cultura Japonesa, principalmente dos filmes, irão perceber várias homenagens aos mestres como Akira Kurosawa.
Kurosawa utilizava muito em suas narrativas o ideal heróico, a luta contra um sistema que reprime, a quebra contra as tradições, além do Origami que representa o pai de Kubo, ser uma homenagem (pelo menos é muito parecido) a Toshiro Mifune, de Os Sete Samurais, que por sinal, inspirou o filme Sete Homens e um Destino (1960 e o remake de 2016).
Pelo menos uma coisa é certa! A empresa responsável pode não ter conseguido levar o Oscar anteriormente com suas outras animações como Coraline, ParaNorman e Boxtrolls, irá com certeza entrar como franco atiradora contra Zootopia, Procurando Dory e Pets.
Mesmo assim, é uma ótima animação para adultos e crianças que buscam um filme diferente entre explosões, perseguições, sangues e outros blockbusters que estão nas salas de cinema.

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E que subam as cortinas! Até a próxima!

Curiosidades

O título Kubo e as cordas mágicas, faz referência ao Shamisen, instrumento japonês de cordas similar a um banjo, que está sempre com o personagem. O shamisen possui três cordas, assim a audiência consciente do título em inglês tem algo a observar durante o filme.

O roteiro foi baseado “no relacionamento da minha esposa com sua mãe doente. Eu quis contar a história delas pelo ponto de vista de um conto folclórico fantástico inspirado no Japão. O forte aspecto pessoal permitiu que a história fosse um épico de fantasia com um núcleo emocional profundo”, conforme dito pelo roteirista Shannon Tindle. Por isso os “furos” nos personagens para os que se perguntarem “quem é quem” na história.

A trilha sonora foi feita pelo ganhador do Oscar, Dario Marianelli.

A música que toca nos créditos finais se chama While my Guitar gently Weeps, que é dos Beatles.

 

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