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Depois de comparecer no Force Friday II decidi finalmente fazer esse apaixonado depoimento sobre como o marketing sempre ajudou Guerra nas Estrelas a consolidar a sua marca e de certo modo não cair no esquecimento.

Como diz o ditado, gosto não se discute, e eu decidi comprar essa briga para explicar que Holiday Special (Ou especial de Natal de Star Wars) foi a melhor jogada de marketing que George Lucas teve na época. Apesar de desastrosa.

Vamos a defesa.

Como dizem por aí, PRIMEIRAMENTE você tem que entender a época que esse especial de Natal (ou de ação de graças), foi exibido, pelo menos aqui no Brasil, se não me falha memória em 1979.

Errata: Segundo o site IMDb a exibição no BR foi 25 de Dezembro de 1981. (eu acredito que foi antes, mas eu não sou o wikipedia heheh). Então tá falado. Mas eu “acho” que no Brasil passou 2 vezes já que a segunda que passou na Record eu gravei.

Se você gafanhoto nasceu depois dessa data, com certeza não vai entender a importância de marketing que esse especial INFANTIL representou para as crianças da época.

Eu tinha 12 anos, estava apaixonada por Guerra nas Estrelas, e não tinha ABSOLUTAMENTE NADA de Star Wars em lugar nenhum, de qualquer coisa e absolutamente nada. (Escrito errado assim mesmo para representar o que era um caos)

Quando o filme estreou aqui no Brasil em 1978, (a maioria acredita que foi em 1977), a única maneira de assisti-lo era indo ao cinema. Eu assisti Guerra nas Estrelas mais de 20 vezes naquele ano. Fora nos anos seguintes. Lembro que eu assistia o filme 3 sessões seguidas. Ainda com o bônus de pagar somente um ingresso se chegasse “atrasada”. (Eles deixavam a gente assistir a sessão seguinte sem nos expulsar do cinema, o que acredito deve ter prejudicado e muito a contagem da bilheteria na época), SE ALGUÉM FEZ ISSO deve ficar feliz.

Coleção? Nós nem sabíamos se era possível existir. O máximo um recorte de jornal e o álbum de figurinhas que ganhei na escola, que só completei 30 ANOS DEPOIS. Acreditem.

Lembro que decorei as legendas do álbum, era a única coisa de Guerra nas Estrelas que eu tive durante vários anos. Guardava aquilo como uma joia.

Bem, esclarecido esse ponto, vamos a fase seguinte.

DE REPENTE na TV passa Holiday Special ou o Especial de Natal. Talvez um ano depois da exibição do filme no Brasil, ou até menos. Agora imagina a situação de uma criança APAIXONADA pela saga assistindo ao comercial na TV que usava a seguinte chamada. “Finalmente na TV no Brasil, Guerra nas Estrelas”. 

Sim, foi exatamente essa chamada que passou na época. É claro com as cenas com os personagens que aprendi a amar.

Sinceramente a única coisa que eu lembro como se fosse ontem foi que o meu coração quase saiu pela boca quando eu pude imaginar que poderia rever os personagens queridos.

Finalmente assisti o dito cujo especial. Eu achava pela chamada que seria o mesmo filme que assisti no cinema. Eu nem tinha ideia o que era um spin-off ou continuação. Achei meio estranho mas imensamente divertido.

Tentei memorizar cada segundo daquele especial de TV. Afinal NUNCA MAIS poderia revê-lo.

Vocês tem ideia do que é assistir algo na TV e não saber se vai conseguir ver aquilo de novo? O vídeo cassete não existia. Ou você assistia naquela hora ou já era. A única maneira de guardar era na memória.

Bem, finalizado a parte 2, vamos a outra fase. O conteúdo.

Depois dessa explicação acima você acredita mesmo que euzinha com 12/13 anos estava preocupada com o roteiro, fotografia, cronologia, mitologia ou sei lá mais o que?

E sim, foi muito especial. Teve a participação de BoBa Fett (personagem que só conheceríamos no Império Contra Ataca alguns anos depois).

 

Eu não sabia que Mark Hamill tinha sofrido o acidente automobilístico. Achei “estranha” a sua aparência e até imaginei na época que não era o mesmo ator. Acreditei nisso durante muito tempo. Hehehe

Eu sempre quiser ter uma X-Wing de madeira, e um Bantha. Gente, eu tinha 12 anos de idade. Só adquiri esses gadgets recentemente. Recomendo as naves do Enigma 3D de madeira. Olha o merchan.

Foi nesse especial que eu conheci a família do Chewbacca e foi super divertido na época ver todas as travessuras do pequeno.

Sim, eu percebi cada cena inédita que Lucas tinha cortado da edição original e que foi adicionada ESTRATEGICAMENTE no especial e muito tempo depois na edição re-re-re feita.

As cenas do filme me fazia pular na cadeira, cada segundo.

A versão dublada era super divertida, nunca assisti Holiday Special no original. E nem pretendo.

Eu ri com a professora de culinária e eu falava vez ou outra “Meche, soca, bate”. E amava. Gente, só para reforçar. Eu tinha 12 anos.

UMA JOGADA DE MESTRE. (update da madrugada)

Lembrei agora. 

Alguém parou para pensar que este especial para crianças foi para a TV apenas um ano depois da estreia de Guerra nas Estrelas no cinema e que NUNCA (pelo menos até onde eu saiba), isso tinha acontecido na história do cinema?

Quantas vezes, mesmo nos dias de hoje, um filme estreia no cinema e poucos meses depois um spin-off / continuação ou sabe-se lá o que inédita você assiste na TV?

Sim, George Lucas sacou a voracidade dos fãs da época e deu o pontapé inicial para a estratégia de marketing que funciona até hoje. NÃO DEIXE A LEMBRANÇA DOS PERSONAGENS CAIR NO ESQUECIMENTO.

Por isso não há problemas que os fãs usem os cosplays desde aquela época. Existem pessoas que nunca assistiram Star Wars na vida e mesmo assim já viram Darth Vader em algum lugar, seja na festinha de aniversário da priminha, na camiseta ou no comercial da Pepsi. Do mesmo modo. Falem bem, falem mal, mas falem de mim.

Atualização 14/09/2017 – o fã Valter Cardoso respondeu em um grupo a respeito das datas de exibição de Holiday no Brasil. Obrigada pela ajuda. Realmente não me lembrava. A estreia no Brasil foi dia 16 de abril de 1979 a Rede Tupi de Televisão. Passou outras vezes, como em 16 de abril de 1984 pelo SBT. Em 1988 a Record exibiu algumas vezes anunciando como se fosse um dos filmes da Trilogia Clássica

 

Mas nem tudo foram flores.

Claro que nem tudo foram flores, as cenas com clips eram entendiantes, e eu gostaria de prever que um dia eu poderia avançar essa parte. Um adendo para esse “contexto sexual” nesse clip para entreter o avô do Chewie. WTF.  😯 – Tudo bem que eu nem entendi na época. Afinal não tinha legenda na música mesmo. Só era um tédio.

 

E o final com a Leia cantando ???????? (se não me engano foi a única vez que Carrie cantou, me corrijam se houveram outras).

 

Resumo da ópera.

Anos depois esse especial passou na Record. (vídeo abaixo). Eu fiz questão de gravar e foi um momento nostálgico para mim. Não por quê Holiday era realmente Especial pela qualidade de roteiro e outras coisas que as pessoas se importam tanto hoje em dia, mas sim pela lembrança de uma época que tudo era muito mais difícil, mas raro, mais complicado de se curtir e ter.

 

 

Se você não tivesse algum amigo que gostasse da mesma coisa, nunca mais teria a chance de conversar com alguém sobre isso. E mais ainda, a informação sobre qualquer coisa era difícil de chegar.

Eu só soube da estreia do Império Contra Ataca (Julho de 1980) por acaso quando foleava um jornal, nem tinha ideia que pensavam em uma continuação. Não existiam continuações de filmes na época. Só depois de algum tempo que vi o comercial na TV.

Não tinha conceito de filme /  marketing /  consumo de qualquer coisa. Ou você assistia ou já era.

Hoje em dia é tudo mais fácil, mais tá na mão. Segundos depois todo mundo comenta. Se quer adquirir, ou baixa ou se for MUITO FÃ compra ou assiste no Netflix.

A galera de hoje não sabe o que era a sensação de “perda” que os fãs tinham na época depois que um filme saia de cartaz.

Então eu acho que esse depoimento serve para reforçar que gostar de alguma coisa não depende somente da qualidade mas sim o quanto você quer tem algo do seu lado, para sempre. Quase como um amor que mora em um outro país e você só pode ter notícias de vez em quando. POR CARTA.

E para completar o título do depoimento,

Star Wars Holiday Special marcou a história da TV, por oferecer o que os fãs queriam … assistir mais Guerra nas Estrelas.

E não é o que queremos até hoje? E que venham Os Últimos Jedi, As Aventuras de Han Solo, qualquer coisa de Obi-Wan. Sendo bom ou ruim eu estarei lá, curtindo e apreciando como sempre fiz nos últimos “quase” 40 anos. Afinal Guerra nas Estrelas só estreou no Brasil em 1978.

 

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