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Para muitos o lançamento de um livro com o seu autor favorito é mais do que um evento. E o que aconteceu ontem (06 de setembro) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo, foi um bate papo que iniciou-se com a assessoria e terminou com a autora Christina Rickardsson.

Foto: Alan Uemura

Essas conversas seguem sempre um padrão de quem é o autor, o assunto do livro, entre outros dados técnicos. Só que ontem, ficamos sabendo sobre a chegada da escritora e o principal, não sua agenda, mas sim como foram os bastidores.

Vamos a eles!

Mas sobre o que é o livro?

Eu nasci no Brasil e vivi em uma caverna até os meus cinco anos de idade. Mais tarde, minha mãe e eu nos mudamos para uma das inúmeras favelas da cidade de São Paulo. Aprendi desde cedo a não confiar na polícia e nem em outros adultos. Fui obrigada a cuidar de mim mesma e do meu irmãozinho antes de, finalmente, irmos parar em um orfanato. Um ano depois, quando eu tinha oito anos de idade, fui adotada por uma família sueca de Vindeln, em Västerbotten. Em Nunca deixe de acreditar, Christina conta a história de sua vida como menina de rua no Brasil, da fome que passou, de como foi maltratada e da separação de sua mãe biológica e de seu país. Além disso, conta como foi crescer na Suécia com todos os choques culturais com os quais se deparou assim que chegou à pequena cidade localizada na região de Norrland. A autora revela como conseguiu, já na idade adulta, superar os seus traumas de infância e reconstruir sua vida. Quando sente que necessita repor as forças e as energias, ela dispõe de um truque muito especial: salta de paraquedas de um avião, praticando a queda livre durante sessenta segundos, até que o paraquedas se abra. Saber cair em pé é útil em todas as ocasiões! Aumentar a consciência e a compreensão das diferenças, dos preconceitos e do choque cultural é um dos objetivos da jornada de Christina e, ao fazê-la, construir pontes para criar diálogo, tolerância e abertura na sociedade. Esta é uma comovente história sobre amor, tristeza, amizade e perdas. Christina fala de sobrevivência, de como dois mundos totalmente diferentes contribuíram para a sua formação e de como lutou para unir as duas pessoas que tinha dentro de si mesma.

Deu para perceber que não é um livro qualquer ou os que são lançados em enxurradas por coachings e histórias de vida. Nunca Deixe de Acreditar, é sim a história de vida da autora, mas ela não quer que você siga os mesmos passos do que ela. Afinal, ela veio das ruas. Ela quer que o brasileiro e o mundo, saibam dos problemas sociais vividos pelo Brasil. Das inúmeras dificuldades e que nem todos os pais com tantos problemas, são o clichê de maltratarem seus filhos.

A sociedade de um modo geral enxerga assim os inúmeros moradores de rua, de comunidades entre outros, como pais que tem filhos para simplesmente ganharem um dinheiro em cima de outras pessoas. Pode até ser, mas todos são assim? E como a criança, aquela que está ali vê e sente isso tudo? É fácil para quem nunca passou por isso dar milhões de soluções sócio educativas. E quando passar pela rua, olhar para a criança como um trombadinha.

Sim, é fácil. E não é apenas pelo medo que está enraizado em nossa sociedade desde Pixotes da Praça da Sé do século passado cheirando cola, aos de hoje que conseguem ficar chorando por horas a fio pedindo esmola.

Foto Alan Uemura

Durante sua passagem por São Paulo ontem, Christina fez uma palestra em Heliópolis e outras atividades. Depois foi comer alguma coisa junto da assessoria. A assessora que nos atendeu, com muita simpatia e atenção (algo que infelizmente tenho que colocar como uma crítica atual para as atuais Assessorias que tratam jornalistas de maneira fria, e seus autores como meros objetos e produtos), nos disse que durante o almoço ela viu dois meninos de rua e pediu que eles almoçassem com eles ali. A assessoria teve que “brigar” com o restaurante para aceitar que eles entrassem. Muito complicado não?

Muitos podem parar agora e raciocinar que é fácil para ela fazer isso, que tudo é marketing etc. Será? Marketing se faz na frente de câmeras e Redes Sociais. Não no seu dia-a-dia porque é parte de si.

Na Bienal do Rio de Janeiro, ela era uma das autoras mais sorridentes, conversando com as pessoas, mesmo aquelas que nem sabiam que ela é. Por que isso? Porque mostrar o seu trabalho, a sua vida, é este livro. Não é uma lição, não é um livro de regras para que devamos seguir, como tantos lançados e que não trazem nada, a não ser palavras de impacto.

A vida tem o seu impacto direto em cada um, de maneira diferente. Cada pessoa sabe a sorte que tem. E como ela disse, ela teve o seu “bilhete premiado”. Quantas crianças, não importando a classe social a tem?

Confiram o vídeo com o bate papo da autora!

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