LUIS MIRANDA FALA SOBRE POLÍTICA E BAIANIDADE NO “BIPOLAR SHOW” DA TERÇA-FEIRA, DIA 3
Luis Miranda é o convidado de Michel Melamed no “Bipolar Show” desta terça-feira, dia 3 de outubro, às 21h30 no Canal Brasil. O ator baiano, atualmente no elenco de “Mister Brau” e “Zorra Total”, ambos na Globo, defende a importância do posicionamento político, relembra dificuldades da infância e fala do “ser baiano”.  A seguir, leia trechos da entrevista.

Bahia: Na Bahia porra não é palavrão. É reticência, é amor, é paixão, é vírgula, é vida.

O charme você vai ficando velho e descobrindo, vai ficando melhor, você aprende como faz. Você vai sambar, aí tem um boquinha que você faz. Homem baiano não tem medo de mexer a bunda. Vê o Xanddy (cantor) , ele joga a cabecinha pra trás, entendeu? Os caras não têm medo disso. Na Bahia não tem sexualidade, bicho. Ninguém é viado, as pessoas são baianas, entendeu?

Drogas: Sempre a mais leve, droga pesada não é muito a minha praia, sintética nem pensar, gosto das naturais, as naturais te ajudam a desenvolver raciocínio. Álcool gosto, né? Bebida. Que sabor gostoso tem uma cachaça também, né?”

(Ao recusar a oferecida por Michel): “Tenho medo quando a câmera está ligada de a gente ficar muito verdadeiro, a verdade incomoda. Mas se não tiver errado também, não saio de casa. Se eu tiver conformadinho que nem a galera que vive hoje em dia não saio de casa, não estou a fim de ser o garoto bacana que fica lá, entendeu, fazendo sinalzinho e vendendo produto, eu quero incomodar mesmo, eu quero trazer pra minha galera que está na rua, na favela, o seu ato de revolta pra sair daquele lugar, eu também me revoltei.

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Sabe o que é? Dureza. Chega! Fazer pão de cará até quando? Eu tomava metade de cachaça, ai sobrava pouquinho pra comer. Tinha que fazer o quê, mais pão? Não, que a mão doi. Tinha que fazer mais arte, coisa remunerada. Como é que eu faço? Vamos escrever, fazer a cabeça funcionar?

Humor e Política: O humor é trágico para cacete. Isso do “Terça Insana” foi muito legal, quando você começa a ser seu próprio autor. Que é isso que você faz que me interessa em você, que interessa na gente, a gente tem o que dizer, a gente se incomoda, a gente tem coisa pra falar”

Eu tenho uma personagem, a dona Edith, que eu criei na época da desgraça que assolava o país da falta de comida dentro de casa. Eu lembro, como sou nordestino, e a minha mãe tinha essa coisa da economia da comida em casa que era comer sim, mas o pão, metade só de manteiga. Você não passa manteiga nas duas partes do pão, que é desperdício.  Biscoito com margarina por quê? O biscoito já é salgadinho, já tem um gosto. Margarina, ela é uma coisa muito específica, você vai fazer um ovinho e bota aquele pouquinho de margarina, que aí dá o sabor, e ainda rola o negócio de uma farofa.

As pessoas acham que o pobre só quer comer? Não! Não! E depois de comer vai fazer o quê? Literamente, e quem é que na hora de fazer aquilo quer passar um jornal, uma folha ruim, um papel de drupa face, quer passar uma coisa pra não lembrar o que comeu de ruim. É nessa hora que você vê como é descompensado o que as pessoas acham que o pobre precisa. O pobre precisa de arte, cultura, lugar bonito, de roupa bacana, de perfume, de tudo que você precisa.

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Me dá um certo bode quando vejo amigos que não se posicionam e que acham que o mundo continua arco-íris, é preciso, é necessário se posicionar, é necessário olhar pro mundo e saber, nos meus espetáculos, nas coisas que eu faço, nas comédias que eu busco, eu preciso me posicionar, eu preciso dizer “Fora Zebagadadi”, não digo o nome porque até o nome atrai coisa ruim. Mas a verdade do incômodo da gente como artista é a necessidade constante de estar se reinventando, todo mundo tem uma veia, e vou te dizer uma coisa: a televisão abriu essa porta, mais que o teatro ou qualquer outra coisa, porque no teatro, o cara se põe lá como espectador e ele vê o outro fazendo. A TV entra na sua casa e você fala: “Ah, eu faço aquilo, beijar a boca da coisinha Valverde, faço com a maior facilidade

A gente foi metendo o pé na porta, a gente não foi mais suportando a escravidão. O que está acontecendo hoje é que a galera cansou: E não tem como barrar isso, entendeu? Um pé na porta bem dado ela abre.

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