SHIPPER/ANGST LEVE

Fanfic de Lucas Zago
13/7/00
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Categoria: Shipper/Angst leve
Sinopse: Mulder cai na dúvida de quem realmente é sua parceira. Estaria ela
escondendo um segredo de Mulder? Ela realmente o ama? Será que o amor pode
superar a traição?

Continuação de “En Ami”

 

RESIDÊNCIA DE DANA SCULLY
10:13 PM

 

Na sala da casa da agente estavam apenas ela mesma e seu parceiro. Os
Pistoleiros Solitários, que haviam constatado que o CD estava vazio, já tinham
ido embora. Eles haviam percebido que o clima ali era tenso e pesado. Estavam
muito a par do relacionamento entre Mulder e Scully. Muito estreito, por
sinal. Estreito como a linha que separa a vida da morte. A sanidade da
loucura. O amor do ódio. A confiança e a traição.
Traição. Era esta a palavra que vinha à tona naquele momento. Scully e
Mulder estavam a sós, naquela sala, sem se falar, nem se olhar.
Eles já haviam ido até o local onde C.G.B. Spender a tinha mandando ir.
Não havia nada ali. Não restou mais nada. A mentira foi muito bem bolada. E a
idiota da Scully caiu como um passarinho no boiz. Fora enganada, usada por
completo. Como ela era ingênua… mal sabia dos propósitos do Canceroso. Ele
não era humano. E Scully não percebera tal coisa. Ela pensou que aquele homem
possuía sentimentos, bem como escrúpulos, mas não. Nada daquilo era verdade.
Ele a havia drogado. Ele a havia enganado. Ela sabia, agora ali naquela sala,
que tudo não passara de uma farsa. Tudo fazia parte do plano. E ela era a peça
do jogo. A mais importante de todas.
Porém, talvez apenas uma coisa fosse verdadeira: a afeição daquele ser
desumano pela agente. Sim, porque ele poderia retirá-la da jogada num simples
piscar de olhos. Mas não queria. E isso a deixava ainda mais instigada. Ela
queria saber por quê. Por que ele não a matara? Não a tirara logo do jogo?

Silêncio absoluto.
Mulder não olhava para Scully nem se ela implorasse-o. Ele estava
impassível. Decidido… e traído. Era como uma facada nas costas. Scully o
traíra… e com seu pior inimigo. O traíra com seu pai, o que era ainda pior.
Ela não suportava mais aquele silêncio letal. Perguntou, lânguida, a seu
parceiro: _ Mulder, você vai ficar aí, parado, sem dizer nada?
Sem direcionar o olhar à parceira, respondeu sério e ao mesmo tempo
sóbrio: _ O que quer que eu diga?
_Não sei… mas você vai ficar me culpando para sempre?
_Não estou te culpando, Scully. Eu só não entendo…
_O quê?
Por fim, ele resolveu olhar para ela, que estava quase chorando, prestes
a desabar: _Não entendo por que você me traiu.
_Mulder…
_Sim, Scully. Você me traiu. E com meu pior inimigo.
_Mulder, escuta… _ ela levou sua mão à de Mulder.
_Não Scully. Não precisa se explicar. Sua conduta condiz perfeitamente
com quem você é… ou mostra ser. _ e retirou bruscamente sua mão sobre a de
Scully.
_Mulder, escuta! Será que você pode me ouvir por um segundo apenas??
Ele olhou diretamente nos olhos de Scully, indagando o porquê da ação
desrespeitosa de sua parceira. Mas ela sabia o que fazia. E sabia muito bem.
_Será que você não entende? Não entende que eu fiz isso tudo… por
você?
_Por mim? Você ainda tem a coragem e impertinência de me dizer que fez o
que fez pensando em mim?
_ Eu não pensei em você. Eu fiz tudo o que fiz exatamente por você. Ou
você acha que eu arriscaria minha vida à toa? Acha que eu não me preocupei com
você enquanto estava do lado daquele crápula? Acha que foi fácil pra mim fazer
parte do jogo? Sabendo que tudo era uma mentira?
_Mas você não sabia…
_É claro que sabia. Por mais que julgasse-o um ser humano uno e…
humano! Você deve entender que fui ludibriada e levada a crer na verdade
implantada por aquele homem. Mas ao fim de tudo, pensei que podia trazer algo
em troca a você. Um troféu como prova de minha preocupação.
Pausa ofegante. Ela ponderou e hesitou um pouco antes de prosseguir.
Mulder, cabisbaixo, apenas presenciava as revelações de Scully.
_Mulder… eu não tenho ninguém em quem confiar a não ser você. Você é
minha fonte de energia. Você é a minha motivação na busca incessante pela
verdade. Será que não percebe… que eu te amo?
Ele olhou fixamente nos olhos de Scully. Uma lágrima escorria por sua
face ante à revelação nem um pouco álacre.
_Você acha que eu seria capaz de trair a única pessoa em quem confio em
todo o mundo?
_Bem, eu…
_Você se deixou levar pela raiva. O ódio falou mais alto. Você não se
conforma em possuir uma ligação tão profunda com C.G.B., vive se perguntando
se irá herdar a falsidade contida no semblante… de seu próprio pai.
Mulder gelou.
_ Eu entendo Mulder, mas você não pode me julgar sem antes conhecer
minhas razões. Elas são verdadeiras.
Ela se aproximou de Mulder lentamente.
_Mulder, você é a minha razão. Tudo o que faço, eu faço justamente por
você. Pensei que, se fizesse o que o Canceroso pedia, obteria resposta, e
alguma evidência das falcatruas realizadas por ele. E agora eu sei… sei que
a mentira faz parte da vida deste homem. A mentira tornou-se algo tão
corriqueiro que ele não percebe mais a gravidade do que faz com os outros.
Se aproximou ainda mais.
_Eu sei que um dia a verdade, resoluta por completo, vai nos dar as
respostas que tanto buscamos, mas hoje, tudo o que nos resta é a nossa
confiança. A nossa união reitera aquilo que nos faz fortes e decididos a
continuar… Mulder, se um dia você tiver qualquer dúvida de que eu te amo,
então pode seguir sua jornada sozinho. Porque você é tudo o que me resta. E eu
sou grata a você por tudo o que sou e me tornei. A nossa relação hermética me
fez constatar o quanto você é importante para mim.
Scully, imersa na paixão que assolava seu coração, prosseguia com sua
mais pura declaração de amor: _ Mulder, você é meu trunfo. Você é a minha
verdade maior, a razão da minha Ciência. Se hoje eu sou racional e céptica,
por mais que pareça insano, eu devo isso a você. Você me fez perceber que dois
pólos se atraem. A minha Ciência se completa com a sua crendice. Se hoje eu
sou uma pessoa íntegra, eu devo isto a você, porque sua loucura e paranóia
sustentam minha racionalidade. Por isso e por tudo o que você me fez ver,
Mulder… eu te amo.
Dizendo isso, ela levou seus lábios aos de Mulder lentamente, selando-os
com paixão. Mulder olhou fixamente os olhos de Scully, levou as mãos à sua
nuca e a beijou desenfreadamente, como se aquele beijo suprisse a vontade de
revelar o quanto ele a amava. Ele realmente a amava. Mais que tudo na vida.
Era um amor mútuo e completo.
Mulder, resfolegando-se após o beijo apaixonado que sucedeu ali, naquele
instante, disse:_ Me perdoe, Scully, por julgar-lhe mal. Sei que agi
erroneamente pensando que você fosse insensata… mas foi por medo de te
perder.
Ela sorriu, afirmando com um simples olhar que o amava. E se abraçaram
calorosamente.
Mulder prosseguiu sem hesitar, a paixão inundando seu pobre coração: _ É
claro que um dia a revelação iria suceder. E nada melhor do que hoje para
dizer “Eu te amo”.
Ele a beijou apaixonadamente e finalmente disse… “Eu te amo”.

FIM.

Aguardo feedback!!

 

 

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