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A Prefeitura da Cidade de São Paulo e a Secretaria de Cultura do Município, com produção da Mesa2, apresentam, pela primeira vez, Bossa Nova na Virada Cultura de São Paulo

Tributo aos 60 anos da Bossa Nova na Virada conta com intensa programação no Centro de São Paulo, nos dias 19 e 20 de maio, com a apresentação de artistas de diversas gerações e as veteranas Alaíde Costa, Claudette Soares e Dóris Monteiro que participaram do movimento, que mudou os rumos da música brasileira e que continua fazendo sucesso em todo mundo.

A abertura do espaço acontece dia 19 de maio, às 18 horas com show inédito da cantora e atriz Virgínia Rosa (acompanhada ao piano pelo maestro Ogair Júnior), recriando algumas das canções do disco “Canção do Amor Demais”, de Elizeth Cardoso, um dos marcos do início da Bossa Nova.

No encerramento, dia 20 de maio, às 18 horas, um tributo ao cantor, compositor e pianista Johnny Alf, importante artista da Bossa Nova, dono de uma voz incomparável e autor de composições inesquecíveis, tais como, “Eu e a Brisa”, “Rapaz de Bem”, “Quem Sou Eu”, “Olhos Negros”, “Ilusão à toa”, que fazem parte do show em sua homenagem. Johnny, que  completaria 90 anos em maio do ano que vem, apresentou-se pela última vez em agosto de 2009, ao lado de Alaíde Costa, terá suas canções revisitadas por Jane Duboc, Blubell, Jane Moraes, Claudya, Graziella Medori, Verônica Ferriani entre outros.

O Tributo aos 60 anos da Bossa Nova na Virada soma 10 shows, alguns inéditos, e acontecerá no Centro Cultural Olido durante a realização da Virada Cultural da cidade de São Paulo, dias 19 e 20 de maio. Confira a programação completa, o link de fotos e mini-bios das artistas.

Serviço: 
Centro Cultural Olido
Av São João, 473 – tel: 3331-8399
Site oficial: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/galeria_olido/
Sala Olido  – 293 lugares 
**Entrada Gratuita** Sujeito à lotação da sala.

60 ANOS DE BOSSA NOVA NA VIRADA
Sábado, dia 19/05
18:00 / AS CANÇÕES DO AMOR DEMAIS NA BOSSA NOVA com VIRGÍNIA ROSA e OGAIR JÚNIOR – INÉDITO
19:30 / A BOSSA DE DORIS com Dóris Monteiro
21:00 A BOSSA NOVA E UM POUCO DE SUA HISTÓRIA com Verônica Ferriani e Marco Pereira – INÉDITO EM SP
22:30 / A INFLUÊNCIA DO JAZZ com Blubell – INÉDITO
00:00 / TOQUINHO NA BOSSA com Vânica Bastos

Domingo, dia 20/05
10:00 / BOSSA NOVA DE MÃE PRA FILHA com Cláudya e Graziela Medori – INÉDITO
12:00 / ISSO É BOSSA NOVA ISSO É MUITO NATURAL com Jane Morais
14:00 / É MELHOR SER ALEGRE QUE SER TRISTE com Jane Duboc, Juan Alba e Verônica Ferriani
16:00 / ALAÍDE COSTA e CLAUDETTE SOARES – 60 ANOS DE BOSSA NOVA com Alaíde Costa e Claudette Soares
18:00 / TRIBUTO A JOHNNY ALF com Alaíde Costa, Blubell, Claudette Soares, Claudya, Graziela Medori, Jane Duboc, Jane Morais, Mônica Zaritê, Verônica Ferriani, Virgínia Rosa e Ogair Júnior. -INÉDITO

Minibios dos artistas: 
Alaíde Costa – Carioca, nascida em dezembro de 1935 com o nome Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide é considerada uma das perfeitas vozes do país. Em seus 50 anos de carreira, gravou quinze discos e participou dos principais programas de televisão e de rádio no eixo Rio e São Paulo. Em 2014, gravou o importante disco “Canções de Alaíde”.

Claudette Soares – Com mais de trinta álbuns e participações especiais, Claudette, que também é conhecida como Princesinha do Baião, pela sua participação na rádio Tupi, no programa Salve o Baião, é uma das mais inspiradoras vozes brasileiras. Foi cantora de boite e divulgou as canções da Bossa Nova nos anos 50 e 60. Esteve ao lado de Bibi Ferreira no programa dominical Brasil 60 na TV Excelsior.

Dóris Monteiro – Surgiu nos anos 50 na rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Foi cantora da boite do hotel Copacabana Palace e eleita a Rainha do Rádio. Nesta mesma década, gravou seu primeiro longplay “Vento Soprando”, pela gravadora continental. Mas foi no final dos anos 60, que Dóris conquistou o país cantando “Mudando de Conversa”, de Maurício Tapajós e Hermínio Belo de Carvalho, que ficou cinco meses na parada e foi recorde de vendas.

Virgínia Rosa – Nasceu e cresceu no bairro Casa Verde, zona norte de São Paulo. Seu pai foi importante estimulador de seu lado artistico e foi através dele e de primos, que Virgínia engressou na música. Sua carreira profissional começou com Ithamar Assumpção, na banca Isca de Polícia. Virgínia tem seis discos lançados e, recentemente, conquistou espaço como atriz em atuações elogiadas nas novelas “Babilônia” e “Pega Pega” (TV Globo) e também vivendo Dona Zica, no musical “Cartola”. Já cantou ao lado de Marcos Sacramento, Ney Matogrosso, Ná Ozzetti, Lucinha Lins entre outros.

Ogair Júnior – Paulista de São Caetano do Sul, desde muito jovem, Ogair é pianista, arranjador e professor. Fez parte de trios, quartetos até chegar a Big Band da Funarte, onde foi pianista titular por três anos. Como instrumentista já atuou com Gal Costa, Célia Cruz, Ná Ozetti, Virgínia Rosa, Eugênia Melo e Castro, Mônica Zarité, Graça Cunha, Olívia Byington, Jair Rodrigues, Ney Matogrosso, Luciana Mello e muitos outros.

Verônica Ferriani – Reconhecida intérprete da nova geração, Verônica já dividiu palcos com Beth Carvalho, Ivan Lins, Mart’nália, Spokfrevo Orquestra, Jair Rodrigues, Francis Hime, Martinho da Vila e outros. A turnê ‘De Boca Cheia’ que já percorreu 90 cidades em 13 países é oriunda de seu disco 100% autoral lançado em 2013.

Marco Pereira – Violinista, compositor e arranjador brasileiro. Recebeu o título de Mestre em Violão Clássico pela Université Musicale Internationale de Paris. Criou na UnB (Universidade de Brasília) os cursos de violão superior e harmonia funcional e nos anos 90 participou em quatro oportunidades diferentes do Free Jazz Festival, duas delas ao lado de Wagner Tiso (1992) e Edu Lobo (1996).

Blubell – Isabela Fontana Garcia, mais conhecida como Blubell é cantora e compositora brasileira. Fez parte de bandas independentes, e participou de shows da big band paulistana Funk Como Le Gusta. Sua música “Chalala” foi tema de abertura da série Aline, da Rede Globo.

Vânia Bastos – Iniciou sua carreira profissional nos anos 80 ao lado de Arrigo Barnabé, sendo solista de “Clara Crocodillo” disco marcante da chamada Vanguarda Paulista. Gravou CDs com canções de Caetano Veloso, Tom Jobin e Clube da Esquina. Atualmente, acaba de lançar o festejado álbum ‘Concerto para Pixinguinha’, ao lado do contrabaixista e arranjador Marcos Paiva.

Cláudya – Desde menina engressou no mundo artístico. Fez parte de programa de calouros, foi crooner e iniciou sua carreira profissional em São Paulo, na década de 60 partcipando do programa O Fino da Bossa. Recebeu prêmio do Festival Fluminense da Canção e percorreru diversos festivais internacionais, inclusive, no Japão, Espanha México e Venezuela, tornando-se a cantora mais premiada fora do Brasil.

Graziela Medori – Filha de Claudya e do instrumentista Chico Medori, Graziela é um grande talento e uma das promessas no cenário musical brasileiro. Está na estrada desde os 16 anos (hoje tem 31 anos) quando teve sua primeira gravação profissional.

Jane Morais – Cantora paulista nascida em Tatuí, no interior do estado. Foi uma das integrantes do grupo “Os 3 Morais”, que formou com seus dois irmãos. Em 1967, Jane foi convidada por Chico Buarque para gravar o samba “Com Açucar com Afeto”, que foi lançado em seu LP. Mais tarde, ficou muito conhecida ao lado de seu marido Herondy Bueno, com a dupla Jane & Herondy, que fez incrível sucesso com a canção “Não se Vá”.

Jane Duboc – Cantora, compositora e escritora paraense, obteve grande sucesso nos anos 80 com baladas solos e românticas, como “Chama da Paixão”, “Sonhos” e “Besame”. Em 2006 seu álbum ‘Uma Voz…uma Paixão’ foi indicado ao Grammy Latino.

Juan Alba – Ator, apresentador e cantor. Foi modelo fora do Brasil e é muito conhecido pelo seu papel como Josué, na novela Terra Nostra (TV Globo). Paulista nascido em Campinas, Juan é integrante de um trio de Jazz e atualmente marca presença em Outro Lado do paraíso (TV Globo).

A Bossa Nova é também de São Paulo
A capital paulista foi onde o novo estilo encontrou pela primeira vez o sucesso
Paulo Cesar de Araújo*
Uma das mais evidentes provas de que São Paulo não é o ‘túmulo do samba’ está no fato de que foi em Sampa que, pela primeira vez, a bossa nova alcançou as paradas de sucesso e teve grande visibilidade. Sim, foi o público paulista, antes de qualquer outro do mundo, que primeiro avalizou a bossa nova. Isto aconteceu no fim de 1958, com o lançamento em São Paulo do single de João Gilberto que trazia de um lado ‘Chega de Saudade’, de Tom e Vinicius, e, do outro, ‘Bim bom’, do próprio João – primeiro disco dele na gravadora Odeon.   Ao longo do tempo, cristalizou-se uma visão que trata a bossa nova como um fenômeno carioca quando, na verdade, esta sonoridade expressa uma cultura musical de todo o Brasil, portanto, patrimônio nacional e agora universal. Criado por um baiano que morava no Rio, o novo estilo era, no início, restrito a jovens músicos que se reuniam em apartamentos da zona sul carioca – todos encantados com João Gilberto e procurando imitá-lo. Essa turma poderia crescer com a chegada daquele single trazendo ‘Chega de Saudade’.   Na época, o lançamento de um artista carioca ou residente no Rio se dava primeiramente na sua praça e, só mais tarde, em São Paulo. E vice-e-versa. As duas principais metrópoles do país eram ainda muito distantes entre si e, em consequência, havia uma profusão de ídolos locais, cantores muito conhecidos em um estado e praticamente desconhecidos no outro. Por isso, o disco do novato João Gilberto foi lançado inicialmente no Rio, onde a lógica indicava maior chance de sucesso.   Entretanto, não foi o que aconteceu. Para desgosto do artista e da gravadora, seu disco foi um fracasso de venda e de execução. A opinião geral de disc-jóqueis e de lojistas cariocas era a de que o cantor não tinha voz, cantava num andamento e tocava em outro. Não teria o apelo comercial para disputar espaço com gravações de sambas, boleros e chá-chá-chás. Assim, o grande público continuava ignorando a bossa nova e ignorando seu criador.   Foi então que, no fim de 1958, a Odeon decidiu mandar João Gilberto para São Paulo, com o desafio de obter na terra dos bandeirantes o que não conseguira em casa. Há muitos anos é repetida uma frase que teria sido dita na época por um diretor de vendas da filial da Odeon em São Paulo: “É esta a merda que o Rio nos manda!”. Pois foi exatamente em São Paulo que a tal ‘merda’ alcançou sucesso popular. Diferentemente do que ocorrera no Rio, disc-jóqueis paulistas como Hélio de Alencar, da Excelsior-Nacional, e Walter Silva, o Pica-Pau, da Rádio Bandeirantes, programaram ‘Chega de Saudade’. A aceitação do público foi imediata e outras emissoras começaram a também tocar o disco. Resultado: naquele ano, o single de João Gilberto se tornou recordista de vendas na Assumpção, que era a maior cadeia de lojas de discos e eletrodomésticos de São Paulo.   Isto garantiu a João Gilberto a gravação do segundo single, com Desafinado e Oba lá-lá, lançado em fevereiro do ano seguinte e, logo depois, o tão sonhado primeiro álbum intitulado ‘Chega de Saudade’. A partir daí tudo se transformou. Depois da grande repercussão em São Paulo, o som de João Gilberto finalmente fez sucesso no Rio e em outras metrópoles do país. Foi em setembro de 1959, por exemplo, que Ronaldo Bôscoli e sua turma realizaram no Rio um badalado show intitulado 1º Festival de Samba-Session. Ou seja, tudo isso acontecia quando aquilo ainda nem era conhecido pelo nome de bossa nova – expressão que só pegou pra valer a partir do fim daquele ano.   O fato é que São Paulo foi o primeiro grande polo receptor da nascente bossa nova, como depois seria do tropicalismo e de outras vanguardas musicais, confirmando a condição de a cidade de melhor ouvido do Brasil. A partir de 1964, artistas cariocas como Nara Leão, Roberto Menescal e Marcos Valle frequentavam cada vez mais os palcos e televisões paulistas. Era a época de concorridos shows como O Fino da Bossa e O Remédio é Bossa, no grandioso teatro Paramount. Tudo isso agora no rastro do estouro internacional do álbum que João Gilberto gravou nos Estados Unidos com Stan Getz, o Getz/Gilberto, que naquele ano entrou na parada da Billboard e ganhou vários Grammys. E assim, de música de apartamento no Rio de Janeiro, a bossa nova ganhava, definitivamente, os palcos, as ruas e todo o mundo.
*Paulo Cesar de Araújo é historiador e jornalista, autor dos livros ‘Eu Não Sou Cachorro Não’ e ‘Roberto Carlos em Detalhes’.

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