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É possível falar do episódio final de uma série sem dar spoilers? Especialmente quando foi uma finale tão sensacional quanto a de Sense8?

Pode-se começar pelo spoiler óbvio que é assistir ao primeiro episódio desse absoluto sucesso do Netflix no Brasil já sabendo que a história dos oito personagens mental e emocionalmente conectados foi cancelada e trazida de volta por aclamação popular. No Brasil. E que esse é o último suspiro. Amarram-se as pontas soltas, gente morre, gente se casa, o último apaga a luz e tranca a porta. E alguém limpa aquele sangue todo, porque olha…

Em apresentação fechada com uma semana de antecedência para oitocentos sortudos nessa sexta-feira, dia 1 de junho, no Memorial da América Latina, a atriz Tina Desai (que interpreta Kala) tinha na ponta da língua a informação de que nosso país representa 70% do fandom mundial de Sense8. Junto com ela vieram Jamie Clayton (Nomi), Miguel Ángel Silvestre (Lito), Toby Onwumere (Capheus) e Brian J. Smith (Will), que participaram de um evento que faz parte da semana LGBTQA+, que termina com a já tradicional Parada na Avenida Paulista, no domingo. A celebração contou com apresentação do episódio, uma grande área com food trucks e ambientes para foto (como o Van Damn do Capheus, um inflável com o nome da série nas cores do arco-íris e o cenário que simulava o trio elétrico no qual o elenco desfilou no episódio em que veem a São Paulo), além de um karaokê de What’s Up?, que voltou a ser sucesso após tocar na primeira temporada e de um bate-papo com os Sense5 presentes, apresentado pela drag queen Penelopy Jean e uma representante do Omelete, creio eu. Por incrível que possa parecer, não se acha nem no próprio site o nome da moça. Desculpe aí, eu tentei.

Alguns colegas estão divulgando que foram duas horas de episódio. Eu não tenho certeza. Estava sem meu celular, que é também o meu relógio, “confiscado” em uma manobra excelente: para ir ao evento era imprescindível ao convidado concordar em deixar o celular e quantos pertences quisesse em lockers enfileirados no térreo do auditório, antes do convidado passar por um detector de metais e aí sim subir para a sala de exibição. Por que estragar o prazer do coleguinha, não é? Vou comprar o peixe, pois: foram duas horas em uma montanha russa, da qual não espere sair com todas as respostas. Algumas perguntas, especialmente sobre o futuro dos personagens, ficam em aberto. Eu não senti falta, porque a partir dali são inúmeras as possibilidades. O importante era saber se haveria “a partir dali” e era isso que eu queria ver de verdade.

Em estilo Matrix, as lutas são danças, o sangue jorra e espirra até na lente e ficou bem claro de quem era a direção, no melhor de Lana Wachowski (a série deixou de ser assinada por “The Wachowskis” na segunda temporada). As cenas de ação são intensas e em generosa quantidade: lutas ricamente coreografadas, tiros, explosões, perseguições. Os olhos não param em uma festa de ação… em paisagens lindas, como Paris e Nápoles. E lá se vão nossos sete sensates e alguns aliados na missão de salvar o oitavo, Wolfgang, capturado no episódio anterior. O alemão foi torturado e agora sofre com recordações de uma infância horrorosa. Ainda no cárcere, só o que se vê é que ele é monitorado constantemente pela BPO.

Espere desfechos engenhosos, dignos de um produto feito para uma geração muito mais aberta à diversidade – marca do sucesso de Sense8 – e alguns com carinha de final de novela, portanto shippers terão suas preces atendidas, com alguns acréscimos. Espere a redenção de alguns personagens odiados, espere mortes saborosas, espere o melhor das habilidades e da personalidade de cada sensate. Se você é fã mesmo, espere gargalhar muito e chorar mais ainda. Espere soltar a respiração que você nem sabia que estava prendendo quando o episódio terminar.

É inútil, por mais que se comente de antemão, que se esperem dois fatos: o primeiro é torcer por alguns zé-ninguéns: sério, isso acontece de maneira sorrateira, fulanx vai entrando pelos seus poros e já já você grita de alegria porque elx se deu bem, em mais de um sentido. Se a sua primeira reação for gritar “o que é que você está fazendo aí?”, calma. Vai valer a pena. Em segundo lugar, não espere que certas perguntas não respondidas façam falta. Eu encontrei umas cinco perguntas não respondidas nessa finale, mas para mim, elas sobrariam nessas duas horas. Dou de ombros, estou nem aí pra elas. Quando puder haver spoilers, eu me explico. Ou não.

Foi um final escrito para fãs, todos os elementos estão ali, goste ou não, alguns amenizados para melhor compreensão, como eles finalmente se darem conta total de que, se um sensate tem determinada habilidade, então todos a têm; eles sempre se comunicam em inglês entre eles, mas desta vez ocorre o mesmo com os respectivos conterrâneos, o que costumava acontecer em diversos idiomas. Na mesma linha, a naturalidade em se tratar a diversidade é exacerbada. Nunca houve melindres e panos quentes para falar de sexualidade, para mostrar relações homoafetivas. Não é necessário um prelúdio panfletário sobre a necessidade de se falar sobre isso, simplesmente acontece. Relações heterossexuais, homossexuais, trans, poliamorosas ou “todas as alternativas acima” importam tanto quanto viver, amar, ser amado, pertencer e acima de tudo sobreviver, não apenas física como psicológica e sociologicamente. A dor pessoal de cada personagem é tratada com o mesmo peso, independentemente da importância que a sociedade dá a cada uma delas. É importante dizer que, para caber tudo em um episódio só, ainda que longo, essas dores e características são pinceladas em uma imagem muito maior, que é, em suma, a salvação do cluster e a destruição do inimigo. Tem que estar com, muita vontade de não gostar para sair totalmente contrariado da finale de Sense8. A gente conversa no dia 8!

 

Por Vicki Araujo

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