Literatura e imoralidade: o ápice da perversão

29/08/2018 Off Por Surya

Para inaugurar o selo HotHot, a Edipro lança a obra mais importante do mestre do sadismo, A Filosofia na Alcova, com o intuito de mostrar o que há de mais depravado na ficção

Eles a ensinam como descobrir o prazer do próprio corpo, entender o corpo do outro, tanto o feminino quanto o masculino, e, com muita libertinagem, a sentir prazer com os atributos dos gêneros. O impacto foi tanto na vida da jovem, que toda a sua ingenuidade se transformou em perversão destrutiva.

A inauguração do selo HotHot, da , traz uma obra impudica, do pai da depravação, que deixará os leitores desconsertados.

O exemplar é do aristocrata francês , mais conhecido como , que ficou famoso por protagonizar muitos escândalos no século XVIII, mas ninguém esperava escrituras tão devassas. Em sua época, utilizava pseudônimos para publicar seus livros e escreveu a maior parte de sua obra nos anos em que passou preso por imoralidade.

Em A Filosofia na Alcova, obra clandestina e publicada postumamente em 1795, o idealista libertino aborda a educação dos jovens, geralmente explorados por autores como Rousseau, porém a versão de Sade é subversiva e, quiçá, perigosa.

A crueza narrada pelo escritor nas cenas de deboche e violência ataca a todos os princípios da moral consagrada e abalam mesmo ao espírito mais habituado às leituras fortes. A combinação de filosofia e pornografia gera um conteúdo aversivo e, ao mesmo tempo, instigante.

A narrativa coloca Eugénie, uma inocente jovem de internato, nas mãos da pervertida madame de Saint Ange, o lascivo Senhor de Mirvel, seu irmão, e o sarcástico Dolmancé, para aprender sobre a vida. Erotismo, ideologias libertárias e submissão se misturam, assim como os corpos nus dos três amantes, na obra máxima do mestre do sadismo.

Para que a discípula aproveite todo o conhecimento dos três libertinos, eles adotam um tipo de “tratamento de choque”, muita exposição de intimidade burlesca e vil. Neste sentido, eles quebram toda moralidade e religiosidade da moça com exemplos práticos e bizarros de sexo, como incestos, grupais e selvagerias. Todo este contexto na época, predominantemente cristã, era um crime.

Após todas essas experiências, a jovem se transforma no pior lado de seus professores, e prova isso da maneira mais chocante e libidinosa possível.

Novo selo:

Apresentando diferentes visões sobre a sexualidade e o erotismo, as obras publicadas pelo selo HotHot abordam a vida sob os lençóis. Este é um dos mais recentes selos editoriais da Edipro e foi criado para se dedicar aos livros que discutem as temáticas do amor e do sexo. No HotHot o leitor encontrará literatura erótica, com destaque para os grandes clássicos que foram publicados sobre o tema ao longo da história, mas sem esquecer dos mais incendiários romances atuais sobre o erotismo. O selo trará também obras voltadas ao universo GLBT e livros que buscam abordar os mais diversos nuances da sexualidade humana.

Sobre o autor: (1740-1814) passou a história como o . Aristocrata francês, esteve grande parte de sua vida encarcerado na Bastilha por seus textos libertinos. De obras como Justine, A filosofia na alcova e 120 dias de Sodoma, criou-se a imagem de perversão sexual do marquês, que emprestou seu nome ao termo médico sadismo (a busca do prazer sexual pela submissão, humilhação e sofrimento do parceiro). Entretanto, Sade foi muito mais do que um escritor sádico. Filósofo de ideias originais, seu pensamento libertino desafiava as concepções religiosas e racionalistas da França pré-republicana, o que o fez ser perseguido tanto pelos apoiadores do Antigo Regime quanto pelos revolucionários. Ateísta, anti-clerical e avesso à moral consagrada, foi um livre-pensador e deixou um legado de obras não apenas eróticas, mas libertadoras.

Ficha técnica:

Editora: HotHot

Assunto: Literatura

Preço: R$ 36,90

ISBN: 9788552981008

Edição: 1ª edição, 2018

Tamanho: 14×21

Número de páginas: 192