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Uma das coisas mais fascinantes sobre o cinema é a possibilidade de imersão total na história que está sendo apresentada na telinha, aquelas poucas horas que o expectador consegue se desligar do mundo exterior e fazer parte do filme.
É exatamente isso que o diretor Gustavo Bonafé conseguiu nos apresentar em o Doutrinador, o que deve ser considerado, finalmente, o primeiro anti-herói moderno totalmente BR.
A história criada originalmente por Luciano Cunha bebe de todas as fontes possíveis dos clichês hollywoodianos e acerta em cheio em um filme que teve um orçamento minúsculo, aproximadamente 6 milhões de reais, alcançar níveis assombrosos de qualidade.
Se trocarmos os políticos corruptos tupiniquins por qualquer político ou criminoso americano que cansamos de acompanhar em Arrow, Demolidor, O Justiceiro e até mesmo Batman teremos uma prévia do que veremos nesse longa protagonizado por Kiko Pissolato que interpreta o anti-herói Miguel.
O que acompanhamos nessas horas de projeção foi um filme que não quis reinventar a roda e entrega no seu colo sem dó e sem vergonha todos os clichês possíveis e imagináveis que faz do cinema de ação o que ele é de verdade. E vou além, a história é tão envolvente que coloco até mesmo acima do apedrejado Batman Versus Superman no quesito desenvolvimento de personagem.
Sem muitos spoilers, partindo pelo básico, Miguel é um policial dedicado da “D.A.E.” (“Divisão Armada Especial”) da cidade de Santa Cruz (poderia ser Gothan City, Metropolis, Starling City ou até mesmo Queens) que depois de experimentar o sentimento de derrota ao ver o político que prendeu ser libertado, e logo em seguida vive o triste e péssimo momento de uma perda pessoal, devido à falta de atendimento no sistema básico de saúde, parte para a vingança de todos os políticos corruptos sem dó, sem piedade.
Se você pensa que já ouviu algo assim antes não se engane, é isso mesmo. E tudo isso regado a uma trilha sonora sensacional, uma fotografia incrível e cenas de tirar o fôlego, e é claro, com muita, palavrões, mas muita violência e sangue. O Batman passou longe.

As locações são em São Paulo e no Rio de Janeiro, e o grande destaques são para as aplicações de outdoors e neon por toda a cidade, dando um ar futurista e moderno.

 

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Miguel não está sozinho em sua “jornada”, – em uma situação inusitada ele conhece a hacker Nina (Tainá Medina) que o ajuda em vários momentos do filme, mesmo sabendo que Miguel está agindo errado. No contraponto está o parceiro Edu (Samuel de Assis), que não sabe da identidade secreta de Miguel, ele é a consciência do filme, alertando sempre que agir daquele modo além de errado e um crime, não somente para o amigo, mas para nós telespectadores que nunca devemos fazer justiça com as próprias mãos.
Eu poderia falar muito mais sobre esse filme incrível, mas corro o risco de jogar algum spoiler mediante a alguns plot twists específicos.
O Doutrinador chegou chegando e é sem dúvida um dos mais legais e interessantes filme de super-heróis que você com certeza verá nos próximos anos e principalmente bateu o martelo e colocou FINALMENTE de vez o cinema nacional dentro da categoria criador de conteúdo de HQ e não gibi como bem disse a queria personagem Nina.

 

 

A adaptação da história foi realizada por Gabriel Wainer, que também assina os roteiros ao lado de Luciano Cunha, L.G. Bayão, Rodrigo Lages e Guilherme Siman. O longa-metragem tem estreia confirmada para 1 de novembro de 2018 e foi gravado juntamente com a série de televisão que será exibido no segundo semestre de 2019 pelo canal Space.

 

 

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