Antonio Skármeta vem ao Brasil para divulgar ‘O filme da minha vida’, de Selton Mello

04/07/2017 0 Por Alan Uemura

Baseado no livro “”, do autor chileno, o longa-metragem estreia no dia 3 de agosto.

Antonio Skármeta chega ao Brasil na segunda quinzena de julho para a divulgação de “O FILME DA MINHA VIDA, de . O longa é uma adaptação de “”, do autor chileno. Ambientado no sul do Brasil, na década de 60, mostra o processo de amadurecimento do jovem Tony Terranova (), sua relação estreita com a mãe, a ausência do pai – o francês Nicolas (Vincent Cassel), seus anseios, dilemas e amores.

Skármeta sempre sonhou em ter este livro adaptado por um cineasta brasileiro. Por indicação de um amigo, Romar Beling, assistiu a “O Palhaço”, segundo filme dirigido por Selton na época, que levou 1,5 milhão de pessoas aos cinemas. Ao constatar a sensibilidade do diretor, o procurou para realizar o sonho da adaptação brasileira de “”.

“A parceria com Skármeta foi incrível. Desde o começo ele se mostrou um interlocutor ideal, é o homem que criou esse universo em seu livro. E por ter vivido várias experiências de adaptações, ele tem também a generosidade de saber que o filme precisa ter vida própria e precisa ir além das páginas”, diz Selton sobre a experiência com o autor de outro livro que teve adaptação para o cinema, “O carteiro e o poeta”.

O livro, que será relançado pela editora Record com a capa do filme, é repleto de referências musicais e cinematográficas e faz uma viagem pela cultura chilena dos anos 1960. Para fazer a adaptação, além de transpor a história para o Brasil, Selton propôs novos caminhos para os personagens, mas “sem ferir a essência que o autor do livro engendrou”. Skármeta deu sinal verde para o cineasta. “As filmagens aconteceram numa cidade chamada Garibaldi, e de súbito me vi submergido na atmosfera do livro. Este trem em que viajavam os protagonistas, eu havia sonhado com ele alguma vez? Por que tudo me parecia tão familiar? e sua equipe tinham encontrado um lugar que eu tinha apenas imaginado. Coisas de cinema”, disse o autor.

“O FILME DA MINHA VIDA” é uma produção de Vania Catani, da Bananeira Filmes, e tem distribuição da Vitrine Filmes. Estreia nos cinemas no dia 3 de agosto.

O elenco traz Vincent Cassel, , , Bruna Linzmeyer, Rolando Boldrin, Ondina Clais, Beatriz Arantes, João Prates, Erika Januza, Martha Nowill e Antonio Skármeta, em participação especial.

SINOPSE

Serras Gaúchas, 1963. O jovem Tony Terranova precisa lidar com a ausência do pai, que foi embora sem avisar à família e, desde então, não deu mais notícias ao filho. Tony é professor de francês num colégio da cidade, convive com os conflitos dos alunos no início da adolescência e vive o desabrochar do amor.

Apaixonado por livros e pelos filmes que vê no cinema da cidade grande, Tony faz do amor, da poesia e do cinema suas grandes razões de viver. Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona e o obriga a tomar as rédeas de sua vida.

SOBRE O DIRETOR

Um dos atores mais aclamados de sua geração no Brasil, tem se firmado como um cineasta original, de inquietações pessoais, dono de um estilo que valoriza o trabalho de seus colegas atores.

Em seu primeiro longa, o drama Feliz Natal (2008), Selton não atuava, deixando o papel principal nas mãos de Leonardo Medeiros. A seguir, porém, ele estrelou seu segundo longa, a comédia O Palhaço (2011), que conseguiu o raro feito de obter a unanimidade da crítica e ser um grande sucesso de público: atraiu aos cinemas 1,5 milhão de espectadores e foi o quinto filme brasileiro mais visto do ano. O Palhaço também foi o filme escolhido para representar o Brasil no Oscar 2012.

Na TV, Selton também teve outro grande trabalho como diretor: a série Sessão de Terapia (2012-2014), que teve três temporadas no canal pago GNT.

Como ator, seu extenso currículo inclui 28 longas. Entre seus personagens memoráveis, estão o Chicó de O Auto da Compadecida (2000), de Guel Arraes; o André de Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho; o Leléu de Lisbela e o Prisioneiro (2003), também de Arraes; o Lourenço de O Cheiro do Ralo (2006), de Heitor Dhalia, no qual foi produtor associado; o João Estrella de Meu nome não é Johnny (2008), de Mauro Lima; o brasileiro morto injustamente pela polícia londrina de Jean Charles (2009), de Henrique Goldman; o Pedro de A Mulher Invisível (2011), de Cláudio Torres; e a Morte em Meu amigo hindu (2015), último filme de Hector Babenco.

Em O Filme da Minha Vida, seu terceiro longa, Selton aceitou o convite do escritor chileno Antonio Skármeta para levar às telas seu romance , naquele que se tornou seu filme mais pessoal.