Annabelle: A Criação do Mal | O filme é de todo mal?

14/08/2017 0 Por Alan Uemura

Anos após a trágica morte de sua filha, um habilidoso artesão de bonecas e sua esposa decidem, por caridade, acolher em sua casa uma freira e algumas meninas desalojadas de um orfanato. Atormentado pelas lembranças traumáticas da perda de sua filha, o casal ainda precisa lidar com um assustador demônio do passado.

A pergunta de todos: é bom? Por ser uma sequência, ou melhor, anterior a história do primeiro, podemos ir por partes, pois não é apenas dizer sim ou não.

O primeiro filme sofreu com críticas por partes da imprensa e mesmo de fãs do terror, não por sua história, mas pelo excesso de jump scares. Esses “sustos” com o som no último volume e o personagem “pulando” na tela é algo retirado de games que já cansaram há muito os fãs.

Já para , a película vinha com uma certa desconfiança, ainda mais por agora pertencer a um Universo Compartilhado, algo que as pessoas já começam a virar os olhos, pois junto a isso, aparecem os comentários de mais um Universo Marvel, outro Universo de Monstros, etc.

Tudo começa a ficar um pouco mais positivo quando foi anunciado que estaria no comando do filme, principalmente pelo seu filme , onde ele trabalha com maestria os jogos de sombras e luzes.

E mesmo assim, é bom? Sim, supera os erros cometidos pelo anterior, mas continua a sofrer da síndromes das produções de terror. Portanto, vamos começar!

Um dos grandes problemas nos filmes atuais de terror, é que tudo já foi contado. É praticamente impossível dirigir um filme e o expectador não comparar com algo que já foi visto. A história típica como é conhecida das “Old Dark House“, onde as assombrações são o ponto de partida para se narrar uma história em uma casa mal assombrada, é algo muito antigo desde o início do século XX. Isso é seguido pelos personagens que entram na casa e nos guiam apresentando um cenário onde tudo acontecerá.

Não é nada negativo esse tipo de apresentação com os personagens correndo pela casa. Pelo contrário! O espectador consegue ter uma visualização mental onde tudo acontece. De cada compartimento da casa onde podem entrar, ao quarto escuro e proibido. Algo totalmente destoante e que faltou no primeiro Annabelle, onde tínhamos uma protagonista correndo como uma louca e ninguém sabia para onde.

Nesta sequência, Sandberg nos coloca como uma audiência, como visitantes descobrindo cada espaço da casa. Portanto, somos parceiros ali junto aos personagens.

E depois desta apresentação, ele nos traz os personagens e cada sub-enredo que dará continuidade a história. O diretor gosta de trabalhar com o jogo de luzes e sombras, dando uma dose de suspense atmosférico, algo bem terror invisível. Não sabemos o que pode existir ali naquele canto. E o bom nisso, é que a boneca, se torna apenas um acessório, algo que o público tanto anseia em ver e ao mesmo tempo quer fugir. Essa mescla de saber se ela irá aparecer em qualquer canto mais escuro, dá a palavra em todo o filme. O que difere muito de outros longas como Chuck.

Mas… sempre existe um mas! O filme retorna aos problemas do roteiro. Onde o exagero na porção de truques e sustos, cede ao desespero, no tudo ou nada! O espectador que já se sente habituado naquela atmosfera, de repente é jogado em uma perseguição sobrenatural, parecendo que está em uma montanha russa. E colocar em primeiro lugar os efeitos especiais ao invés dos personagens, é um erro gritante.

Falta empatia com os personagens. Não foi dado tempo para o crescimento deles, mesmo que as atrizes principais sejam ótimas. Falta o que todo filme de terror atual está devendo: criar um vínculo com o público e o medo no subconsciente.

Esse medo do “nada”, era algo que filmes como Tubarão e IT traziam. Deixar o espectador traumatizado, com medo de entrar na água e de Palhaços.

Essa dependência absurda de CGIs e a música que entrega cada susto, continua a ser o grande erro desse gênero atual.

De qualquer forma, , é um bom filme. Ele é divertido para aqueles que já conhecem tantos filmes de terror e dá os sustos naqueles que ainda estão o conhecendo. Não consegue ser um dos melhores, mas supera em muito ao primeiro longa.

Vale destacar o final de que faz uma ligação direta com ao anterior e no final com uma cena pós créditos.

E tenho que reconhecer, que Sandberg é um talento para este tipo de filme. Ainda tem seus erros, mas com o tempo deve mostrar ser um dos melhores na arte do terror.

Portanto, vá ao cinema e confira por si se o filme vale ou não a pena. Gosto é sempre gosto! E se divertir, é o que todos queremos.

E que subam as cortinas! Até a próxima!