Crítica | Jogo Perigoso da Netflix

Crítica | Jogo Perigoso da Netflix

29/09/2017 0 Por Alan Uemura
Spread the love

[widget id=”yuzo_widget-4″]

Chegou hoje, 29 de setembro na Netflix, uma das obras mais complicadas a ser adaptada para as telas: Jogo Perigoso.

Pelo menos é o que parecia.

Leia aqui a crítica do livro.

Na história, Gerald e Jessie Burlingame vão para sua casa de verão em um dia quente de outubro, para aproveitar um momento romântico que envolve jogos adultos. Depois de ser algemada na cama, Jessie participa dos jogos do marido, até que a situação tem uma mudança trágica. Ela é deixada amarrada e sozinha com suas memórias dolorosas de infância, um cachorro de rua faminto, as vozes em sua mente, e, possivelmente, alguém que a observa do canto escuro do quarto.

Quantos problemas não? E você não tem nem ideia! O filme não é tão denso quanto o livro. A obra escrita por Stephen King é pesada, trágica, com momentos de dar asco, medo, trazer lembranças reprimidas do leitor e questionar se tantos pesadelos não foram reais.

Mesmo assim, o filme é fantástico! A adaptação foi bem feita e suas mudanças foram mais do que acertadas.

Carla Gugino entrega uma personagem marcante! Sozinha nas maiorias de suas cenas ou contracenando com ela mesma, a atriz dá um banho de interpretação. Os momentos angustiantes da personagem são claros para quem assiste. Dificilmente o público não irá se pegar roendo as unhas e depois de alguma cena, olhar para as unhas e pensar duas vezes se realmente é a melhor atitude a se fazer. Nem sempre roer unhas ou se abraçar nesta adaptação é a melhor opção.

Como no livro, o filme te leva a uma imersão total com os personagens. A narrativa é forte, com palavras pontuais e transições entre cenas ponderadas que não te deixa perdido quando ela está pensando, delirando ou no presente. O telespectador é a própria personagem na história.

Muitas vezes vendo cada ato desesperador da personagem, irá se perguntar se morrer não é a melhor solução. Porém, viver também pode ser. Mas, será? Serão muitos “ses” sem resposta, apenas que te trazem mais e mais perguntas.

E o despertar de pesadelos do passado, segredos íntimos guardados até mesmo de seu marido, irão despertar e a levar além do que ela acha possível.

Este filme, assim como o livro, não trata de monstros escondidos em armários ou debaixo da cama. Ele mostra os monstros verdadeiros que vemos no dia-a-dia e em cada esquina. Aquele que com lindas palavras te diz que “não é sua culpa”, mas te faz se sentir culpado. Aquele que te toca de uma maneira que parece ser o certo naquele momento, só que depois você percebe que o toque não era bem o que achou.

Pequenas brincadeiras que são ingênuas, podem ter uma representatividade de maldade que as pessoas não querem acreditar, só que elas existem. Estão aí e preferimos ficar no escuro.

O filme aborda muito bem esta questão. Deixamos que nossos monstros sejam gigantes. O aumentamos a cada visita em nossas noites solitárias. Podemos falar sobre eles durante o dia, mas na noite, ali sozinho, apenas com a luz de uma lua que deveria nos trazer paz, cada sombra é um pedaço de algo que apenas cresce e se alimenta de nós de uma maneira que nos leva ao desespero.

Jogo Perigoso é uma excelente adaptação do livro de mesmo nome! Um filme para se assistir em qualquer horário, pois não é a escuridão lá fora que nos dá medo. É aquela dentro de cada um de nós.

E que subam as cortinas! Até a próxima!

https://www.youtube.com/watch?time_continue=4&v=N1be77YZWKI