Crítica | O Contador com Ben Affleck, além do filme Warner lançará também uma HQ

The Accountant

 

foto-original-de-helen-keller-e-anne-sullivanNos anos 70, assisti ao maravilhoso O Milagre de Anne Sullivan. Para quem não sabe este é um filme de 1962 que conta a comovente história de Anne Sullivan, uma persistente professora cuja maior luta foi a de ajudar uma menina cega e surda a adaptar-se ao mundo que a rodeava,  baseado na vida real de Helen Keller.

Este filme, pelo menos o original, ensina ao telespectador que nem sempre a limitação significa exclusão e falta de inteligência.

Helen, na época com 7 anos nunca  tinha “compreendido” o mundo e Anne foi responsável por ensiná-la a enxerga-lo de algum modo, pelo tato.

Ao conhecer Anne, o pai de Helen transpareceu um enorme preconceito dizendo: “… eles esperam que uma cega ensine a outra”. Como explicar a uma menina que terra é a terra? Que fome é vontade de comer? Como mostrar a árvore para uma menina, que não consegue vê-la? Como ensinar a menina comer com garfos e facas, se a menina não sabe nem o que é educação? Como ensinar a menina o que é o amor? São essas as perguntas que Anne se faz durante o filme todo.

Estávamos falando de uma menina que nasceu em 1880, uma época em que os estudos sobre o comportamento e o cérebro ainda eram primitivos.

Anos depois, em 1979, um outro filme Meu Filho, Meu mundo, mostrou-nos o comportamento de uma criança Autista, e a história do nascimento do programa Son-Rise que orienta famílias, os métodos são utilizados até hoje.

O mais recente filme Como Eu era Antes de Você aborda um outro tema difícil e as críticas tanto positivas quanto negativas foram tão variadas quanto emocionais. Mas esta é outra história.

 

Vamos ao filme

Filmes complexos, sobre comportamento, inclusão social e intelectual devem ser tratados com muito carinho, pois há alguém do outro lado da tela que com certeza perceberá se aquilo “é real” ou se a fantasia apresentada é uma enorme bobagem que mais prejudica do que ajuda quem realmente precisa.

Christian Wolff (Affleck) tem  mais afinidade por números do que por pessoas. Tendo um escritório de contabilidade em uma cidadezinha como fachada, ele trabalha como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo.

Com o Departamento Criminal do Ministério da Fazenda, coordenado por Ray King (J.K. Simmons), começando a fechar o cerco, Christian aceita um cliente legítimo: uma empresa de robótica de última geração onde uma assistente de contabilidade (Anna Kendrick) descobre uma discrepância envolvendo milhões de dólares, e eles acabam se envolvendo em algo muito mais perigoso que os criminosos com quem ele interage.

Apesar de um primeiro ato confuso, Affleck cumpre o seu papel e Chris foi um personagem que deu ao novo Batman a oportunidade de mostrar o quanto a mente pode controlar o corpo levando a pessoa a comportamentos extremos, indo além do número exatos de talheres em uma gaveta, a obsessão por contar tudo o que faz ou até mesmo a frustração em não ter terminado uma tarefa, levando-o ao autoflagelo.

Os outros personagens são como a cereja nesse bolo e o thriller de ação mostra-se previsível no final, apesar de uma reviravolta e uma explicação do “porquê” das coisas. Mas afinal o que valeu mesmo foi o laboratório de Affleck como Bruce Wayne, digo, Chris Wolff.  E acreditem, eu contei todas as ações do personagem, meu TOC nunca me abandona.

 

Complemento com leve spoiler

Em uma família com três irmãos o personagem de Affleck, Chris, não era o único Autista. Sua irmã mais velha apresenta um quadro mais alto, enquanto o irmão mais novo não apresenta nenhum distúrbio. Na década de 60 o tratamento para pessoas autistas eram mais intuitivas do que científicas e isto fica bem claro no começo do filme. Os pais de Chris tinham opiniões diferentes de como conviver com o menino “rebelde”. Sua mãe insistia que o jovem fosse levado a uma clínica enquanto o pai achava que a “raiva” de seu filho deveria ser canalizada através de um treinamento militar.  No material de imprensa que recebi está descrito que o personagem Chris sofre da Síndrome de Savant e no outro da Síndrome de Asperger, que apesar de serem ligadas ao Autismo Nível 1 levam a diferentes comportamentos. Eis que surge a dúvida, como nos filmes anteriormente citados nesta crítica será que O Contador cumprirá a tarefa de apresentar ao público de maneira próxima da realidade o cotidiano de pessoas e famílias nestas condições? Não sou especialista no assunto e fiquei curiosa e realmente feliz com o resultado do filme, mas temo que o que vimos seja algo totalmente possível ou não, ou apenas mais um meio de Hollywood contar uma história diferente?

Nota 3 de 5.

O Contador (The Accountant, EUA – 2016)
Direção: Gavin O’Connor
Roteiro: Bill Dubuque
Elenco: Ben Affleck, Anna Kendrick, J.K. Simmons, Jon Bernthal, Cynthia Addai-Robinson, Jeffrey Tambor, John Lithgow, Jean Smart
Duração: 128 min

Estreia: 20 de Outubro

 

 

Os quadrinhos, o caminho inverso

Capa em inglês
Capa em inglês

Em uma estratégia diferente do “normal” a Warner lançara um série em quadrinhos baseado no filme, a ideia foi apresentada durante o painel da Comic-Con 2015 por Drew Crevello.

“Como um fã de quadrinhos ao longo da vida, eu só pensei que seria uma boa ideia ter algo em desenho. Então, DC, através de sua distribuidora Vertigo, vai colocá-lo como uma história em quadrinhos por tempo limitado … Nós estávamos tentando realmente terminá-lo a tempo para a Comic-Con, mas eu acho que nós vamos na verdade, levar alguns meses. ”

 

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