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Um dos grandes desejos de Hugo (Guilherme Prates) é conseguir fazer parte do grupo de motocross do seu irmão mais velho. Decidido, ele rouba algumas peças para que possa montar sua motocicleta. Quando consegue o feito, ele encontra com a turma do irmão em uma cachoeira remota, onde fazem uma trilha e se deparam com um antigo muro. Hugo sugere que eles desmontem o muro e sigam a aventura, mas acabam encontrando a dona do ferro-velho de onde Hugo roubou as peças. Ela os convida para um caminho ainda mais radical, só que a diversão vira uma corrida pela sobrevivência quando eles passam a ser perseguidos por motoqueiros sádicos e sobrenaturais.

Este é um filme de suspense diferente daqueles que os fãs do gênero estão acostumados. O diretor Vicente Amorim fez um thriler que foge dos clichês com cenas fortes e cores puxadas para o vermelho e jump scares. Não entrega a motivação dos vilões, a localização e nem sua época. É praticamente um terror, suspense, uma graphic novel para o fã se divertir.

Em muitas partes lembra até filmes como Encurralado (Duel) de 1971, onde um homem de negócios (Dennis Weaver) dirige sozinho em uma estrada secundária, quando de repente se vê perseguido por um motorista de caminhão (Lou Frizzell). Depois de algum tempo, ele chega a conclusão de que aquele homem pretende matá-lo. Simples e objetivo.

Em outros pontos, um pouco de A Morte Pega Carona de 1986 e outros clássicos. Na história de A Morte Pede Carona, um jovem, Jim Halsey (C. Thomas Howell), está levando um carro para a Califórnia. No caminho ele dá carona a um psicopata, John Ryder (Rutger Hauer), que mata todos os motoristas que lhe dão carona. Entretanto, Jim consegue escapar mas o louco assassino começa a persegui-lo de maneira implacável. Para piorar as coisas, a polícia pensa que Jim é o autor das mortes.

As histórias são diferentes, mas nas três elas tem algo em comum: motor e vilões sem necessidade de explicar quem são.

Os filmes atuais deste gênero perdem muito de seu tempo ‘tentando’ explicar a motivação dos vilões. Explicam de todas as maneiras, até mesmo chegando a dar diagnósticos psicológicos e seus traumas.

Motorrad é diferente! A começar pelo seu estilo. Com cores frias, puxando para um noir e mantendo os tons claros, ele se distancia do suspense em não mostrar nada com o abuso da escuridão, como os filmes atuais e que às vezes também lembram antigos jogos de Survive Horror que necessitam ser assim para esconder seus erros gráficos. Motorrad não utiliza e vai a fundo em não ser sutil.

Por sinal, Motorrad bem que poderia entrar para esta categoria de Survive Horror já que é praticamente uma história sem diálogos, onde a ação desenfreada acontece, com os atores mostrando apenas através de sua interpretação o medo e a dor, este filme sabe conversar com o espectador, assim como os melhores games do gênero.

O filme traz um personagem, Hugo, com sua ingenuidade apenas querendo fazer parte do grupo. Como qualquer jovem que “quer fazer parte”, ele é educado, está sempre sorrindo e é solicito. Já a “turma”, não são personagens clichês que sempre menosprezam o protagonista. De forma alguma, estão ali apenas para se divertir e servir a trama. Durante a história várias coisas acontecem, levando o personagem ao seu crescimento. É o básico e o ideal. Não precisa de mais nada.

Os vilões estão ali com seu sadismo. Mas sem a obrigatoriedade de sangue jorrando pela tela ou algo slash. Nesse aspecto, eles lembram muito Jason (Sexta-Feira 13) em sua perseguição, sem precisar correr para capturar sua presa. E Motorrad é isso. Uma caçada de motoqueiros que desejam apenas sangue. Utilizam de maneira inteligente o ambiente em que estão. A Serra da Canastra, MG, local onde foram feitas as filmagens deixa isso de maneira explicita. O ambiente é o inimigo. Não apenas seus perseguidores.

Motorrad é praticamente uma Graphic Novel, já que seus personagens foram criados pelo quadrinista Danilo Beyruth (Astronauta, Bando de 2, entre outros). O jogo de câmeras, fotografia e narrativa, é praticamente uma transposição das páginas dos quadrinhos para as telas. Infelizmente, Motorrad não tem uma quadrinização.

Este é um filme para ser visto de maneira diferente. Para sentar na sala de cinema e se ambientar com o terror psicológico que a história traz. Com seu silêncio absurdo que só é percebido até a primeira frase de um dos personagens até a poluição sonora do motor das motos.

O final pode deixar muitas pessoas em dúvida. Portanto, deixamos a frase do diretor, mas sem spoilers: “Ela é a apresentação para o crescimento de Hugo. Ela mostra a ele, quem ele é e até onde pode ir.Motorrad em muitos pontos “é a falta de sentido da vida, que se constitui de sofrimento e luta, impelida por uma força irracional, que podemos chamar de vontade.” Não deixa de ser, como o próprio diretor disse, ser um pouco de Friedrich Nietzsche.

E que subam as cortinas! Até a próxima!

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